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Os Grandes Heróis da Fé do Passado

Identificando-me com Abraão, Moisés, Elias e Jeremias em suas fraquezas

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Eu me identifico com os grandes heróis do passado como Abraão, Moisés, Elias e Jeremias. A princípio essa minha afirmação pode parecer uma atitude pretensiosa ou arrogante, mas não o é. Na verdade, eu me identifico com esses heróis da fé em suas fraquezas, que mostram a nossa total dependência de Deus e de sua graça.

Eu me identifico com ABRAÃO, que teve momentos em que a sua fé vacilou e a incredulidade prevaleceu. A vida de fé de Abraão foi longa e desafiadora, e ele teve de enfrentar grandes dúvidas e obstáculos. Na sua vida de peregrinação, Abraão teve os seus momentos altos e baixos. A fé de Abraão não era perfeita, como a nossa também não é. Em alguns momentos, ele demonstrou uma fé exemplar, outras vezes, porém, a incredulidade prevaleceu, como nas duas vezes que, por medo de morrer, disse que Sara era sua irmã: Primeiro para o Faraó, no Egito (Gn 12.10-20), e, depois, para Abimeleque, em Gerar (Gn 20.2-18). No entanto, o pronto principal é que Abraão perseverou na sua fé. Ele não abandonou sua fé em Deus, ainda que algumas vezes ele falhasse em aplicá-la ou em honrar a Deus como deveria. Porém, ele prosseguiu e perseverando adquiriu a segurança cada vez mais firme na promessa de Deus.

Eu me identifico com MOISÉS que, mesmo tendo recebido o melhor preparo no Egito, quando foi chamado por Deus sentiu-se desqualificado. Moisés disse para Deus: "Quem sou eu?" (Ex 3.11). Com essa pergunta retórica Moisés está simplesmente dizendo: "não sou ninguém", "não tenho as qualificações necessárias". No caso de Moisés, isso implica sua relutância e humildade; no meu caso, o sentimento de inaptidão diante da tarefa para a qual Deus me chamou. Porém, assim como Moisés, só podemos realizar a obra de Deus fortalecidos pela sua presença. A promessa que Deus fez a Moisés, se aplica também a todos aqueles que Ele tem chamado: "Deus lhe respondeu: Eu serei contigo" (Ex 3.11). Que consolo saber que o chamado para o serviço de Deus sempre vem acompanhado da presença de Deus (cf. Mt 28.20).

Eu me identifico com ELIAS, que teve seus momentos desânimo e de melancolia. Depois de vencer os 450 profetas de Baal (1Rs 18.20-40) e receber ameaças da rainha Jezabel, Elias perdeu a coragem e, sentindo-se derrotado e deprimido, pensou em desistir de tudo. Ele disse para Deus: "Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais" (1Rs 19.4). Porém, Deus tratou da depressão profunda de Elias com descanso, alimento e água (1Rs 19.5-8). E, uma vez revigorado, com a força daquela comida, o profeta caminhou mais de trezentos quilômetros, durante quarenta dias e quarenta noites, até o monte Horebe (Sinai), onde Deus havia dado a lei a Moisés. A viagem de Elias seria longa e difícil, e fazê-la sem descanso e alimentação adequada seria impensável. Da mesma forma, na nossa caminhada cristã só conseguimos prosseguir quando nos alimentamos constantemente da Palavra de Deus e buscamos a comunhão com o Senhor em oração, descansando nas suas promessas que são fiéis e verdadeiras.

Eu me identifico com JEREMIAS que, ao ser chamado por Deus, sentiu-se inadequado e incapacitado para tal missão e tentou recuar. Ele diz: "Ah! SENHOR Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança" (Jr 1.6). Muito antes de Jeremias nascer, Deus já o tinha separado para a realização de sua vontade soberana, como diz o texto bíblico: "Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações" (Jr 1.5). A ideia de que Deus criou Jeremias para um propósito específico é muito clara no texto. O versículo apresenta quatro afirmações: "Eu te formei...", "eu te conheci...", "te consagrei...", "te constituí...". Ao ser chamado por Deus para tamanha responsabilidade, Jeremias hesitou. Ao olhar para o trabalho diante de si, para a perversidade a seu redor, e para as próprias fraquezas, convenceu-se de que não era o homem certo para tal desafio. Porém, como aconteceu com Jeremias, sempre que Deus nos dá uma missão, Ele assume a responsabilidade da sua execução em nós ou através de nós. A resposta de Deus para Jeremias foi: "Não digas: Não passo de uma criança; porque a todos a quem eu te enviar irás; e tudo quanto eu te mandar falarás. Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o SENHOR" (Jr 1.7-8). Em seguida o Senhor toca-lhe os lábios e diz: "Eis que ponho na tua boca as minhas palavras" (Jr 1.9).

Como bem coloca Warren Wiersbe, "quando se trata de servir ao Senhor, em certo sentido ninguém é absolutamente adequado". O apóstolo Paulo ao refletir sobre as responsabilidades do ministério faz a seguinte pergunta: "Quem, porém, é suficiente para estas coisas?" (2Co 2.16). Ele responde à essa pergunta mais a frente: "não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus" (2Co 3.5). É Deus a razão do nosso sucesso, nunca a nossa própria capacidade ou talento. Como disse João Calvino, "tudo o que você ver de bom em mim, é Cristo. De mau, sou eu mesmo". A exemplo do que Davi faz inúmeras vezes no livro de Salmos, devemos reconhecer que as nossas vitórias vêm do Senhor e não da nossa própria capacidade ou forças. As palavras do Senhor para Paulo se aplicam a todos nós: "A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza" (2Co 12.9).

A força para servir nunca vem de nós — vem de Deus.