É fácil medir o discipulado pelo acúmulo: quantos estudos foram concluídos, quantos versículos foram memorizados, quanto tempo de igreja foi vivido. A Escritura, porém, aponta para quatro alvos distintos, e nenhum deles se resume ao conhecimento acumulado: maturidade, multiplicação, serviço e semelhança com Cristo. Jesus nunca separou o chamado para crer nele do chamado para segui-lo. Ambos sempre vieram juntos, na mesma convocação, desde o primeiro convite feito aos pescadores à beira do lago: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mt 4.19).
Deus predestinou aqueles que salva para serem conformes à imagem de seu Filho (Rm 8.29). Essa é a direção final de todo discipulado genuíno. Nesse processo, a Palavra e a oração permanecem fundamentos indispensáveis para um crescimento contínuo, sem atalhos capazes de substituí-los. Maturidade espiritual não significa ausência de falhas ou tropeços ao longo do caminho. Significa estar disposto a se levantar depois de cada queda, arrepender-se com sinceridade e continuar avançando. Esse padrão é muito diferente da perfeição performática que muitas igrejas, sem perceber, acabam exigindo de seus membros mais visíveis.
A multiplicação, nesse processo, é consequência natural de uma vida genuinamente unida a Cristo, e não uma estratégia opcional que algumas igrejas adotam enquanto outras dispensam. A simples convivência cristã, por mais agradável e fraterna que seja, ainda não constitui discipulado. Discipular exige direção clara, ensino estruturado, correção quando necessária e compromisso mútuo sustentado ao longo do tempo. Também significa preparar cada pessoa para servir de acordo com os dons que recebeu. Como Paulo escreveu aos colossenses, tudo deve ser feito de todo o coração, como para o Senhor, e não apenas para agradar às pessoas (Cl 3.23). O objetivo de tudo isso nunca foi produzir um membro ativo na programação da igreja, mas formar uma vida que reflita, cada vez mais, o caráter do próprio Cristo.
Esse caráter se manifesta em situações concretas do cotidiano: na mansidão diante da provocação, na paciência diante do atraso dos outros, na firmeza diante da pressão social e na generosidade mesmo em meio à própria escassez. Sem esse caráter formado, os demais alvos do discipulado, maturidade, multiplicação e serviço, permanecem superficiais e frágeis, por mais impressionantes que pareçam aos olhos de quem observa de fora. A conformação ao caráter de Cristo nasce do contato diário com ele, e não da força de vontade isolada ou de um esforço moral autoimposto. Paulo descreveu essa formação como dores de parto, sofridas até que Cristo fosse plenamente formado nos gálatas (Gl 4.19), usando uma imagem que comunica um processo lento e doloroso, não uma conquista instantânea.
Vale a pena, portanto, formular em uma única frase qual é hoje o alvo predominante do discipulado em sua própria vida: maturidade, multiplicação, serviço ou semelhança de caráter. Em seguida, avalie com honestidade qual dessas quatro marcas está mais frágil neste momento. Escolha uma área específica da vida na qual você já conhece bem a Palavra, mas ainda não a pratica com verdadeira consistência, e comece por ali, deliberadamente, nesta semana. Pergunte também a alguém próximo, com coragem genuína, o que a sua vida revela sobre Cristo quando você não está dizendo nada. Afinal, ninguém se parece de fato com aquele a quem apenas admira de longe.
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