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Curso de Capacitação Missionária · Artigo 88/98

Quem Pode Plantar uma Igreja

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O chamado para plantar uma igreja é específico: tem origem divina, é reconhecido e confirmado pela igreja local e se distingue do chamado geral, que pertence a todo cristão batizado. Pastorear uma igreja já estabelecida e plantar uma nova igreja compartilham a mesma essência espiritual, mas, na prática, podem exigir dons e competências diferentes. Antes de qualquer estratégia bem elaborada, porém, vem o caráter maduro. A igreja precisa mais de integridade pessoal do que de uma eloquência impressionante no púlpito. Os requisitos apresentados em 1 Timóteo 3 e Tito 1 não são adornos opcionais, mas o padrão indispensável para quem exercerá liderança justamente em um contexto no qual ainda não existe uma estrutura capaz de amparar eventuais falhas de caráter.

O dom pode chamar atenção rapidamente, mas é o caráter que sustenta a obra depois que a atenção inicial passa e o entusiasmo dos primeiros meses diminui. Por isso, a igreja que deseja plantar bem deve avaliar primeiro quem a pessoa realmente é e, somente depois, o que ela sabe fazer tecnicamente. Em Antioquia, enquanto a igreja servia ao Senhor e jejuava, ouviu do Espírito Santo: “Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2). O chamado foi confirmado no contexto da comunidade reunida em oração, e não decidido isoladamente por um indivíduo tomado pelo entusiasmo.

Reconhecer um chamado pessoal, contudo, não é suficiente. É necessário que ele seja confirmado externamente por meio de um processo formal de avaliação, conduzido com seriedade e capaz de examinar competências, estabilidade emocional e verdadeira maturidade espiritual. A responsabilidade de avaliar e enviar um plantador pertence, primariamente, à igreja local, seguindo o padrão estabelecido em Antioquia. Além disso, o envio formal não encerra a relação entre o plantador e a igreja-mãe. Pelo contrário, inaugura um vínculo contínuo de mentoria, intercessão, sustento financeiro e prestação de contas que deve permanecer ao longo dos anos.

O ministério do apóstolo Paulo continua sendo o modelo bíblico mais consistente de plantação intencional: evangelizar, discipular, formar liderança local e, então, enviar. Tudo isso, não de maneira solitária, mas com cooperadores ao seu lado, como Silas, Timóteo e Tito.

A igreja que apenas avalia antes de enviar cumpre somente metade do trabalho. A igreja que avalia, envia e permanece presente ao lado do plantador, ano após ano, é a que realmente planta segundo o modelo de Antioquia no primeiro século.

Se você percebe em sua vida um possível chamado para plantar uma igreja, peça a dois ou três irmãos maduros que avaliem seu caráter com honestidade, e não apenas os dons mais visíveis e impressionantes. Se você lidera uma igreja com condições de enviar um plantador, resista à pressão de escolher alguém apenas pelo entusiasmo inicial demonstrado. E, se você discerne esse chamado específico, procure formalmente sua igreja e peça que estabeleça um processo sério de avaliação. Não espere que esse processo surja espontaneamente sem que você o solicite de maneira clara.

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