Judaísmo e cristianismo compartilham raízes históricas profundas, mas o ponto decisivo de ruptura entre ambos está na identidade do Messias. O judaísmo ainda aguarda um Messias humano que, segundo sua expectativa, ainda não veio. O cristianismo, porém, confessa que ele já veio, plenamente, em Jesus de Nazaré. O islamismo, por sua vez, apresenta Maomé como a revelação final e definitiva, negando explicitamente a divindade de Jesus, sua morte real na cruz e sua ressurreição corporal. Jesus declarou que não veio para revogar a Lei ou os Profetas, mas para cumpri-los plenamente (Mt 5.17). Essa afirmação situa o evangelho como continuidade e cumprimento da esperança judaica, e não como sua negação ou substituição arbitrária.
Jesus também declarou ser o único caminho ao Pai. Por isso, a cruz permanece como o centro absolutamente inegociável do evangelho cristão diante de qualquer religião que o confronte diretamente. O diálogo com judeus e muçulmanos exige, ao mesmo tempo, firmeza doutrinária e respeito genuíno pela pessoa que está diante de nós. Cortesia para com o outro e clareza quanto à verdade não são posturas opostas. Juntas, elas expressam com maior fidelidade o testemunho cristão diante de quem pensa de maneira diferente.
O hinduísmo, dentro de sua própria cosmovisão, propõe a reabsorção final do eu individual no Brâman, a Alma Universal impessoal que sustenta toda a realidade. Essa libertação definitiva do ciclo de mortes e renascimentos é chamada de moksha. O budismo, embora relacionado em alguns aspectos, apresenta uma proposta distinta: a extinção completa do eu no nirvana, encerrando definitivamente o ciclo de sofrimento e reencarnação. Em contraste com ambas as propostas, as Escrituras cristãs revelam um Deus pessoal e relacional e afirmam que a salvação é inteiramente graça, não resultado do esforço humano nem de uma disciplina espiritual acumulada ao longo de várias vidas. Jesus orou ao Pai dizendo que a vida eterna consiste em conhecer pessoalmente o único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem ele enviou (Jo 17.3). Trata-se, portanto, de uma vida eterna pessoal e relacional, e não da dissolução impessoal da identidade individual.
O evangelho não promete apagar quem você é. Ao contrário, promete restaurar plenamente quem você é, para sempre, diante de Deus. Essa é uma diferença radical em relação às propostas do hinduísmo e do budismo. Cristo deve ser apresentado, diante dessas religiões, como o próprio Deus encarnado, e jamais como apenas mais um caminho espiritual entre tantos outros oferecidos ao ser humano em sua busca por sentido.
Leia Isaías 53 pedindo a Deus que abra seus olhos para perceber como esse texto antigo aponta diretamente para Jesus, embora tenha sido escrito séculos antes de seu nascimento. Se você conhece um amigo judeu, muçulmano, hindu ou budista, ore especificamente por essa pessoa antes do próximo encontro que tiverem. Leia também João 17.3 e compare, com suas próprias palavras, a concepção cristã de vida eterna com o nirvana budista e a moksha hindu. São três propostas finais radicalmente diferentes para uma mesma busca humana universal por sentido e libertação.
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