PT EN
Curso de Capacitação Missionária · Artigo 81/98

Quando Se Nega que Deus é Três Pessoas

← Voltar a Curso de Capacitação Missionária

O unicismo nega a Trindade e ensina que Deus é uma única pessoa que se manifesta de diferentes modos em momentos distintos: ora como Pai, ora como Filho, ora como Espírito Santo. Segundo essa perspectiva, porém, essas três manifestações nunca correspondem a três pessoas distintas atuando simultaneamente, como a Escritura revela. Essa doutrina, tecnicamente chamada de modalismo, remonta a Sabélio, no século III, e foi rejeitada pela igreja antiga naquele período, em um debate que, por muito tempo, a história eclesiástica considerou praticamente encerrado. Hoje, porém, ela continua presente em grupos como a UPCI, a União Pentecostal Internacional, no cenário mundial, e, no Brasil, na Igreja Voz da Verdade e em movimentos semelhantes.

O batismo de Jesus apresenta, com clareza impressionante, três pessoas distintas atuando simultaneamente na mesma cena: o Filho sendo batizado nas águas, o Espírito descendo como pomba e a voz do Pai falando dos céus (Mt 3.16-17). Essa realidade não se harmoniza com a lógica unicista, que precisaria interpretar a cena como uma alternância de manifestações ou como algum tipo de divisão de papéis que não corresponde ao que o texto bíblico apresenta.

Um erro a respeito de quem Deus é raramente permanece restrito à doutrina da Trindade. Quando a compreensão sobre a natureza de Deus é distorcida, outras áreas da teologia também acabam sendo afetadas, especialmente a doutrina da salvação, a oração e a própria certeza da fé cristã. Jesus ordenou que seus discípulos fizessem discípulos de todas as nações, “batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Trata-se de uma fórmula trinitária explícita, que o unicismo precisa reinterpretar de maneira forçada para preservar a coerência interna de sua doutrina.

O diálogo com os adeptos do unicismo exige firmeza doutrinária, mas também genuíno cuidado pastoral com a pessoa que está diante de nós. Não basta oferecer uma correção teológica fria e distante. Paulo encerrou sua segunda carta aos coríntios com uma bênção que expressa, de maneira simples e natural, a comunhão das três pessoas da Trindade: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo” (2Co 13.13). Essa saudação apresenta uma distinção pessoal entre Pai, Filho e Espírito Santo que o modalismo encontra dificuldade para explicar sem recorrer a interpretações artificiais.

Leia Mateus 3.16-17 e observe atentamente os três agentes distintos presentes simultaneamente na cena do batismo de Jesus. Se você conhece alguém que pertence a uma igreja unicista, prepare com calma uma pergunta sincera sobre quem é Jesus para essa pessoa, sem iniciar imediatamente um confronto doutrinário. Memorize também 2 Coríntios 13.13 como um resumo bíblico claro e natural da comunhão plena entre as três pessoas da Trindade.

Quer conhecer melhor o trabalho do Projeto Didasko em Portugal?