Muitas igrejas dedicam um mês às missões: realizam uma semana de conferência, colocam um mural na entrada e levantam uma oferta especial. Depois disso, o assunto desaparece do calendário até o ano seguinte. O problema não está em ter um mês de missões, mas no vazio que existe ao redor dele. Igrejas não se tornam missionárias por causa de eventos, mas por meio de formação contínua. E informação só cumpre seu propósito quando produz formação: não basta acumular dados sobre países, povos e estatísticas; é preciso cultivar convicções que atravessem os anos, e não apenas uma semana intensa seguida de silêncio.
É justamente nesse ponto que a Escola Bíblica Dominical e a pregação regular oferecem algo que nenhuma conferência anual pode proporcionar: regularidade. Um calendário de ensino distribuído ao longo do ano, com uma lição aqui, uma menção ali e um testemunho inserido no contexto de outro assunto, constrói gradualmente aquilo que uma semana concentrada não consegue produzir sozinha. O que forma uma igreja não é a intensidade de uma semana, mas a repetição ao longo dos anos. Moisés ensinou esse princípio ao povo de Israel: as palavras de Deus deveriam estar no coração e ser ensinadas em casa, no caminho, ao deitar e ao levantar, e não reservadas para um momento especial do calendário (Dt 6.6-7).
Essa formação contínua também precisa encontrar espaço fora do púlpito, por meio de grupos de estudo e intercessão simples e objetivos. A oração missionária genérica, como “Senhor, abençoa os missionários”, não sustenta a obra por muito tempo, porque lhe faltam rosto e endereço. O que sustenta é uma intercessão informada, alimentada pelo estudo real de um povo, de um campo ou de uma pessoa específica. Grupos pequenos e regulares tendem a durar mais do que iniciativas amplas e complexas. E é justamente nesses grupos que muitas vocações surgem, à medida que cresce o afeto por aquilo que alguém passou a conhecer e pelo qual aprendeu a interceder de verdade. Assim, a conferência anual deixa de ser um evento isolado e passa a ter valor também pelo que acontece antes e depois dela: o que foi plantado nos meses anteriores e o que será colhido nos meses seguintes.
A comunicação missionária durante o culto também merece o mesmo cuidado dedicado à pregação. Ela não deve ser tratada como uma simples interrupção ou como um intervalo entre partes do culto. Três elementos simples podem tornar esse momento eficaz: informação objetiva, um foco claro de oração e espaço para uma resposta espiritual da congregação. A regularidade é mais importante do que a duração. Três minutos bem utilizados toda semana ou todo mês podem formar muito mais do que vinte minutos concentrados uma única vez por ano.
Hoje, a comunicação digital também se tornou um dos principais canais de contato entre a igreja e o campo missionário. Isso exige, porém, o mesmo discernimento espiritual que se espera do púlpito. Nem todo missionário pode ser identificado publicamente por razões de segurança. Da mesma forma, imagens de sofrimento ou pobreza devem preservar a dignidade das pessoas retratadas, jamais transformando sua dor em instrumento de exploração para produzir comoção ou aumentar o engajamento.
Essa formação continuada também precisa alcançar as novas gerações, e isso deve começar cedo. A consciência missionária não surge pronta na vida adulta; ela é construída desde a infância por meio de repetição paciente. Com crianças e adolescentes, o que sustenta esse processo não é o grandioso, como um evento espetacular realizado uma vez por ano, mas o consistente. Uma classe infantil pode aprender o nome de um missionário sustentado pela igreja, orar por ele regularmente e acompanhar suas histórias ao longo dos anos. Aquilo que a igreja apresenta e repete semana após semana molda gradualmente a consciência de toda uma geração, muito mais do que uma campanha isolada, por melhor produzida que seja.
Diante disso, vale fazer uma pergunta simples à liderança da sua igreja: existe hoje um calendário anual de ensino missionário ou apenas um mês concentrado seguido de silêncio? Se a realidade for a segunda opção, um passo concreto para este mês é conversar com um professor da Escola Bíblica e propor a inclusão de uma lição missionária no próximo trimestre. Não como um assunto à parte, mas como parte natural do ensino da igreja. Outro passo igualmente simples é sugerir que uma classe infantil adote um missionário sustentado pela igreja, conheça seu nome e sua história e comece a orar por ele regularmente. Formação missionária não exige necessariamente mais eventos; exige mais constância naquilo que a igreja já faz.
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