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Curso de Capacitação Missionária · Artigo 65/98

Por que Tantos Missionários Voltam Antes da Hora

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Atrição missionária é o termo técnico para a saída do missionário antes do previsto — evitável em muitos casos, inevitável em outros, e a distinção entre as duas categorias importa muito para quem prepara e sustenta quem vai. A pesquisa internacional conhecida como ReMAP II revelou que cerca de 43% dos missionários deixam o campo dentro de dez anos, um número alto demais para ser tratado como estatística distante e irrelevante para qualquer igreja que leva a sério o envio missionário. Oito causas evitáveis se repetem com frequência nesses casos: conflitos interpessoais, falta de clareza sobre o próprio chamado, dificuldades familiares, ausência de cuidado contínuo (member care), problemas financeiros, questões de saúde, choque cultural mal processado, e pressão excessiva por produtividade visível.

A atrição raramente tem uma única causa isolada; geralmente é o acúmulo de vários problemas pequenos, não tratados a tempo, que se somam até tornar a permanência insustentável. Cinco áreas preventivas reduzem esse risco de forma comprovada: seleção cuidadosa de candidatos, treinamento adequado antes da partida, triagem responsável das agências parceiras, supervisão contínua no campo, e cuidado contínuo sustentado ao longo de todo o tempo de serviço. A responsabilidade pela permanência do missionário no campo é sempre compartilhada — igreja, agência e candidato, juntos —, nunca recai isoladamente sobre uma única dessas três partes envolvidas no processo. Deus, segundo Paulo em Atenas, já fixou os tempos e os limites da habitação de cada povo (At 17.26) — uma lembrança de que o próprio Senhor cuida da trajetória de cada um enviado, mesmo quando ela é mais curta do que planejado inicialmente.

Uma vez no campo, os primeiros noventa dias existem para lançar fundamentos sólidos, não para produzir resultados visíveis imediatos que impressionem quem ficou na base. A pressa por resultados rápidos pode, paradoxalmente, fechar portas que ainda estavam se abrindo com paciência, forçando relacionamentos e processos que exigiam tempo maior de maturação natural. Rotinas bem construídas nessa fase inicial funcionam como âncoras de estabilidade em meio a tantas mudanças simultâneas, não como prisões que sufocam o ministério nascente — o profeta Jeremias instruiu os exilados a edificarem casas e habitarem nelas, a plantarem pomares e comerem do próprio fruto (Jr 29.5), um chamado a se estabelecer com intenção, não apenas sobreviver provisoriamente à espera de dias melhores.

O acompanhamento contínuo da igreja enviadora precisa ser planejado com antecedência, antes mesmo da partida, com canais de comunicação e ritmos de contato já definidos entre as partes. Missionários que se sentem genuinamente acompanhados, e não apenas lembrados esporadicamente, servem com mais disposição e por muito mais tempo do que aqueles deixados por conta própria logo após o entusiasmo inicial do envio esfriar. Como observou certo autor sobre esse tema, mais importante do que tudo o que acontece antes da chegada ao campo é o que acontece depois dela — um lembrete direto de que o preparo, por mais cuidadoso que tenha sido, não substitui o acompanhamento constante que vem em seguida.

Reveja as oito causas evitáveis de atrição listadas acima, e identifique qual delas você considera mais frágil na sua própria preparação hoje, se você é candidato, ou na estrutura de cuidado da sua igreja, se você já sustenta algum missionário. Pergunte à liderança da sua igreja como ela pretende exercer esse cuidado contínuo com quem já está no campo, não apenas com quem ainda está se preparando para partir. E se você já viveu uma mudança grande na própria vida, revise como foram os seus primeiros noventa dias de adaptação — o que ajudou, e o que faltou — porque essa reflexão pessoal costuma revelar, com clareza, o que qualquer família recém-chegada ao campo também vai precisar enfrentar.

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