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Curso de Capacitação Missionária · Artigo 66/98

A Missão Nunca Avançou em Terreno Neutro

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É tentador imaginar uma época dourada em que a missão avançava sem resistência, como se as dificuldades atuais fossem uma anomalia recente. A resistência à missão, porém, é histórica. A igreja primitiva enfrentou a perseguição imperial; os reformadores, a Inquisição; e os pioneiros missionários do século XIX, doenças, distâncias e rejeição. A resistência de hoje apenas assume novas formas dentro de um padrão histórico antigo. Ela não inaugura uma realidade nova. Reconhecer isso muda a maneira de encarar os desafios: eles não são necessariamente sinais de que algo deu errado em nosso tempo, mas fazem parte do custo que, historicamente, a obra missionária sempre exigiu.

Parte da crise missionária contemporânea, contudo, está dentro da própria igreja. Há uma erosão silenciosa do compromisso, uma miopia que reduz o horizonte ao que é próximo e confortável, um pragmatismo que substitui a fidelidade por resultados mensuráveis e um ativismo que confunde fazer com ser enviado. Ao mesmo tempo, o mundo que recebe a missão apresenta desafios igualmente complexos: povos inteiros sem acesso ao evangelho, países que restringem a presença cristã, cidades marcadas pela concentração de poder e pela desigualdade e ideologias modernas que disputam diretamente o lugar da mensagem de Cristo. Cada realidade possui seus próprios contornos, e nenhuma pode ser enfrentada adequadamente por meio de uma fórmula genérica aplicada indiscriminadamente a todas.

É importante deixar isso claro: esta matéria não oferece fórmulas fáceis. Ela propõe uma reflexão honesta sobre o verdadeiro custo da obediência ao chamado missionário, um custo que a igreja, algumas vezes, prefere não nomear. Em seu lugar, opta por discursos motivacionais que acabam ocultando a dimensão real do que está em jogo. Jesus disse aos seus discípulos que certas coisas são impossíveis aos homens, mas que, para Deus, tudo é possível (Mt 19.26). Essa palavra foi pronunciada justamente diante de uma situação que, do ponto de vista humano, parecia sem solução.

Por isso, a esperança missionária não depende de uma leitura otimista do cenário atual, nem desaparece quando o cenário se mostra mais sombrio do que esperávamos. Ela está fundamentada naquele que governa o campo, e não na análise estatística das circunstâncias. A grande omissão missionária, portanto, não é apenas uma falha estratégica ou de planejamento. Ela também revela uma desobediência teológica ao próprio coração missionário de Deus, revelado nas Escrituras do início ao fim. Reconhecer isso com honestidade é o primeiro passo para qualquer mudança verdadeira, tanto no âmbito pessoal quanto institucional.

Faça uma lista pessoal dos desafios apresentados nesta introdução que você já enfrentou, de perto ou de longe, em sua própria igreja ou experiência com missões. Ore pedindo a Deus lucidez para encarar essa lista sem minimizar os problemas, mas também sem ampliá-los além do que realmente são. Guarde, ainda, a promessa de Gálatas 6.9 para relê-la sempre que, nas próximas semanas de reflexão sobre este tema, algum obstáculo parecer maior do que a promessa que o sustenta. “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos” (Gl 6.9).

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