A obra de plantar uma igreja só se completa de fato quando a nova comunidade possui seu próprio corpo de presbíteros maduros, e não quando um único homem permanece carregando sozinho toda a responsabilidade por anos seguidos. No Novo Testamento, pastor, presbítero e bispo designam o mesmo ofício ministerial, que pode ser exercido tanto em dedicação integral quanto em serviço leigo dentro da congregação. Nesse ministério, o caráter vem antes do carisma pessoal: irrepreensibilidade, equilíbrio emocional e mansidão têm, segundo o critério bíblico, mais peso do que talento natural ou impressionante capacidade administrativa. Paulo orientou Tito a constituir presbíteros em cada cidade, homens irrepreensíveis, maridos de uma só mulher e com filhos crentes, não acusados de dissolução (Tt 1.5-6). Trata-se de um padrão exigente, que protege tanto a igreja quanto o próprio líder escolhido.
Dentro desse perfil bíblico, a gentileza não é uma forma disfarçada de fraqueza, mas uma expressão de força genuína submetida ao governo do Espírito Santo, à semelhança do caráter de Cristo revelado nos Evangelhos. O presbítero não é um administrador distante, que toma decisões de gabinete sem contato real com as pessoas. É um pastor presente, que caminha entre o povo e cuida pessoalmente das almas que Deus lhe confiou.
A formação de líderes deve estar no centro dessa obra desde o primeiro dia da plantação. Ela nunca pode ser deixada para um futuro supostamente mais tranquilo, quando haverá mais tempo disponível. A liderança nasce do discipulado fiel e constante. Cada convertido é também um potencial multiplicador, capaz de formar outros no futuro. Líderes reais são formados na prática cotidiana da vida da igreja, por meio da convivência próxima e da imitação, e não apenas pela instrução formal transmitida em uma sala de aula. Como o ferro com o ferro se afia, assim o homem afia o seu amigo (Pv 27.17). Esse princípio de formação mútua é algo que nenhuma sala de aula, por si só, consegue substituir plenamente.
Sucesso sem um sucessor preparado é, na prática, fracasso disfarçado. O plantador maduro começa a preparar sua própria saída desde os primeiros anos de trabalho, e não apenas quando já está cansado ou próximo da aposentadoria. A maior realização de um plantador não é tornar-se insubstituível para sempre, mas ver a igreja perseverar com solidez depois de sua partida, sustentada por líderes locais bem formados.
Avalie se a liderança da sua igreja depende excessivamente de um único homem ou se já existe, ou está em formação real, uma pluralidade genuína de presbíteros maduros. Ao considerar possíveis futuros presbíteros, examine primeiro o caráter: família, relacionamentos e conduta cotidiana, antes mesmo de avaliar talentos específicos ou habilidades impressionantes. E pergunte a si mesmo com honestidade: se você precisasse sair amanhã, quem já estaria preparado para continuar aquilo que você começou? Comece agora a investir tempo real na formação dessas pessoas.
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