Uma igreja dificilmente desenvolverá uma visão missionária mais ampla do que aquela que sua liderança comunica e cultiva. Isso não significa que o pastor deva fazer missões sozinho ou controlar cada iniciativa missionária. Significa que Deus confiou aos pastores a responsabilidade de alimentar, aperfeiçoar e conduzir o rebanho para o serviço (Ef 4.11-12). Quando a missão deixa de ocupar espaço no púlpito, na oração e na formação da igreja, é natural que sua ausência também seja percebida na prática.
O primeiro papel do pastor no despertamento missionário é ensinar a Palavra de Deus de modo que a igreja compreenda o coração do Senhor pelas nações. Missões não devem aparecer apenas quando um missionário visita a igreja ou quando é levantada uma oferta. A perspectiva missionária percorre toda a história bíblica, desde a promessa feita a Abraão, passando pela mensagem dos profetas e pelo ministério de Cristo, até a Grande Comissão e a visão de uma multidão de todas as nações diante do Cordeiro (Gn 12.1-3; Mt 28.18-20; Ap 7.9-10). A pregação fiel ajuda a igreja a compreender que missões fazem parte do propósito de Deus, não uma moda ou um programa entre tantos outros.
O pastor também desperta a igreja pelo próprio exemplo. Uma visão que não alcança a oração pastoral, as conversas da liderança e as prioridades da comunidade corre o risco de permanecer apenas no discurso. Quando o pastor ora pelos povos, recebe missionários com interesse sincero, acompanha o trabalho e fala da obra de Deus com alegria e verdade, a igreja aprende a olhar para além de suas próprias necessidades. Não se trata de manipular emoções, mas de conduzir o povo a desenvolver, à luz das Escrituras, um coração disposto a participar da missão de Deus.
Esse despertamento, porém, precisa ser acompanhado de equilíbrio e discernimento. O pastor não deve romantizar a vida missionária nem pressionar pessoas despreparadas a partir. Enviar alguém sem avaliar sua vocação, seu caráter, seu preparo e suas condições pode trazer consequências para a própria pessoa, sua família, a igreja e o campo missionário. Uma liderança saudável reconhece possíveis vocações, acompanha seu desenvolvimento, incentiva o preparo e participa do processo de envio. O pastor não fabrica missionários; ele ajuda a igreja a perceber, preparar e cuidar daqueles a quem Deus chama.
Existe também um risco no sentido contrário: o medo de perder os melhores membros. Uma pessoa piedosa, capacitada e dedicada certamente fará falta quando partir. Entretanto, a igreja não existe para reter seus melhores talentos a qualquer custo. Ela pertence a Cristo. Quando o Senhor separa alguém para uma obra, tentar retê-lo por insegurança é esquecer quem é o verdadeiro dono do rebanho. A igreja de Antioquia não considerou Barnabé e Saulo indispensáveis demais para partir. Em obediência à direção do Espírito, jejuou, orou e os enviou (At 13.1-3).
O papel pastoral, portanto, não é simplesmente criar um departamento missionário cheio de atividades, mas cultivar uma verdadeira cultura missionária na igreja. Isso acontece quando a missão aparece regularmente no ensino, quando o pastor forma discípulos preparados para servir, quando a liderança acompanha e presta contas do trabalho e quando a congregação aprende a interceder de maneira consciente e informada. Essa mudança pode ser gradual, mas seus efeitos são profundos: a igreja deixa de enxergar missões como responsabilidade de poucos e passa a compreender que todos pertencem ao Deus que envia.
Um pastor que deseja começar hoje pode dar um passo simples: escolher, nas próximas semanas, um povo não alcançado, um campo ou um missionário específico para mencionar por nome na oração pastoral, com alguma regularidade, não apenas em datas especiais. Pode também convidar um ou dois líderes da igreja para uma conversa sobre quem, na congregação, já demonstra sinais de vocação missionária, e o que seria necessário para acompanhar essas pessoas de perto. E pode revisar seu próprio calendário de pregação para os próximos meses, perguntando com honestidade se o propósito de Deus para as nações aparece só uma vez por ano ou atravessa, de fato, o ensino que a igreja recebe.
Pastores podem ajudar a igreja a redescobrir a alegria de obedecer ao Senhor, não precisam carregar sozinhos o peso da missão. O rebanho precisa de líderes que apontem continuamente para Cristo e para o mundo que precisa ouvir o evangelho, não que reduzam seu chamado à manutenção da estrutura e das atividades internas. Uma igreja despertada para missões geralmente começa com uma liderança que compreendeu, vive e comunica a missão de Deus.
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