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Curso de Capacitação Missionária · Artigo 06/98

O Papel do Pastor no Despertamento Missionário da Igreja

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Uma igreja dificilmente desenvolverá uma visão missionária mais ampla do que aquela que sua liderança comunica e cultiva. Isso não significa que o pastor deva fazer missões sozinho ou controlar cada iniciativa missionária. Significa que Deus confiou aos pastores a responsabilidade de alimentar, aperfeiçoar e conduzir o rebanho para o serviço (Ef 4.11-12). Quando a missão deixa de ocupar espaço no púlpito, na oração e na formação da igreja, é natural que sua ausência também seja percebida na prática.

O primeiro papel do pastor no despertamento missionário é ensinar a Palavra de Deus de modo que a igreja compreenda o coração do Senhor pelas nações. Missões não devem aparecer apenas quando um missionário visita a igreja ou quando é levantada uma oferta. A perspectiva missionária percorre toda a história bíblica, desde a promessa feita a Abraão, passando pela mensagem dos profetas e pelo ministério de Cristo, até a Grande Comissão e a visão de uma multidão de todas as nações diante do Cordeiro (Gn 12.1-3; Mt 28.18-20; Ap 7.9-10). A pregação fiel ajuda a igreja a compreender que missões não são uma moda ou um programa entre tantos outros, mas fazem parte do propósito de Deus.

O pastor também desperta a igreja pelo próprio exemplo. Uma visão que não alcança a oração pastoral, as conversas da liderança e as prioridades da comunidade corre o risco de permanecer apenas no discurso. Quando o pastor ora pelos povos, recebe missionários com interesse sincero, acompanha o trabalho e fala da obra de Deus com alegria e verdade, a igreja aprende a olhar para além de suas próprias necessidades. Não se trata de manipular emoções, mas de conduzir o povo a desenvolver, à luz das Escrituras, um coração disposto a participar da missão de Deus.

Esse despertamento, porém, precisa ser acompanhado de equilíbrio e discernimento. O pastor não deve romantizar a vida missionária nem pressionar pessoas despreparadas a partir. Enviar alguém sem avaliar sua vocação, seu caráter, seu preparo e suas condições pode trazer consequências para a própria pessoa, sua família, a igreja e o campo missionário. Uma liderança saudável reconhece possíveis vocações, acompanha seu desenvolvimento, incentiva o preparo e participa do processo de envio. O pastor não fabrica missionários; ele ajuda a igreja a perceber, preparar e cuidar daqueles a quem Deus chama.

Existe também um risco no sentido contrário: o medo de perder os melhores membros. Uma pessoa piedosa, capacitada e dedicada certamente fará falta quando partir. Entretanto, a igreja não existe para reter seus melhores talentos a qualquer custo. Ela pertence a Cristo. Quando o Senhor separa alguém para uma obra, tentar retê-lo por insegurança é esquecer quem é o verdadeiro dono do rebanho. A igreja de Antioquia não considerou Barnabé e Saulo indispensáveis demais para partir. Em obediência à direção do Espírito, jejuou, orou e os enviou (At 13.1-3).

O papel pastoral, portanto, não é simplesmente criar um departamento missionário cheio de atividades, mas cultivar uma verdadeira cultura missionária na igreja. Isso acontece quando a missão aparece regularmente no ensino, quando o pastor forma discípulos preparados para servir, quando a liderança acompanha e presta contas do trabalho e quando a congregação aprende a interceder de maneira consciente e informada. Essa mudança pode ser gradual, mas seus efeitos são profundos: a igreja deixa de enxergar missões como responsabilidade de poucos e passa a compreender que todos pertencem ao Deus que envia.

Um pastor que deseja começar hoje pode dar um passo simples: escolher, nas próximas semanas, um povo não alcançado, um campo ou um missionário específico para mencionar por nome na oração pastoral, com alguma regularidade — não apenas em datas especiais. Pode também convidar um ou dois líderes da igreja para uma conversa sobre quem, na congregação, já demonstra sinais de vocação missionária, e o que seria necessário para acompanhar essas pessoas de perto. E pode revisar seu próprio calendário de pregação para os próximos meses, perguntando com honestidade se o propósito de Deus para as nações aparece só uma vez por ano ou atravessa, de fato, o ensino que a igreja recebe.

Pastores não precisam carregar sozinhos o peso da missão, mas podem ajudar a igreja a redescobrir a alegria de obedecer ao Senhor. O rebanho precisa de líderes que não reduzam seu chamado à manutenção da estrutura e das atividades internas, mas que apontem continuamente para Cristo e para o mundo que precisa ouvir o evangelho. Uma igreja despertada para missões geralmente começa com uma liderança que compreendeu, vive e comunica a missão de Deus.

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