A criança não é apenas o futuro da igreja; ela é parte viva do presente do Reino de Deus, com um papel real a desempenhar hoje, e não apenas uma promessa para o futuro. Investir na próxima geração começa dentro de casa e exige paciência perseverante, não pressa por resultados visíveis e imediatos. Nenhuma omissão espiritual é neutra. A igreja que compreende essa realidade investe seus melhores recursos, tempo, atenção e pessoas capacitadas, nas crianças que já estão ao seu alcance, em vez de tratá-las como uma área secundária da estrutura ministerial.
A herança mais valiosa que uma geração pode transmitir à seguinte é espiritual: uma fé viva, comunicada com fidelidade e constância, e não apenas conhecimento religioso transmitido por obrigação. César Moisés Carvalho observou que, para responder adequadamente às perguntas dos filhos, os pais de Israel precisavam, antes de tudo, conhecer bem a própria fé. Segundo ele, muitos dos grandes problemas espirituais enfrentados por Israel ao longo de sua história tiveram origem justamente no descuido com a educação religiosa das novas gerações, tanto formal quanto informal, dentro e fora do templo. Paulo lembrou aos coríntios: “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus” (1Co 3.6). Por isso, nem o que planta nem o que rega ocupa o lugar central, pois o crescimento sempre veio, e sempre virá, do próprio Deus (1Co 3.7).
Ao longo de toda esta matéria sobre as crianças em missões, um mesmo fio condutor esteve presente: a criança já participa da obra de Deus hoje, possui plena dignidade como imagem de Deus, aprende de maneiras específicas que precisam ser respeitadas, necessita de proteção séria e estruturada e, quando é filha de missionário, enfrenta desafios relacionados à identidade que a igreja muitas vezes ignora por desconhecimento. Nenhum desses temas é periférico à missão da igreja. Juntos, eles constituem uma parte essencial dessa missão, e não um apêndice sentimental destinado apenas a quem possui facilidade ou afinidade para trabalhar com crianças.
Ao final, permanece uma pergunta que cada igreja precisa responder com honestidade diante de Deus: o que faremos com as crianças que o Senhor colocou ao nosso alcance? Não se trata das crianças em abstrato, mencionadas em um relatório missionário distante, mas das crianças concretas da nossa própria congregação, do nosso bairro e da nossa família. A omissão nunca é neutra. O vazio espiritual deixado sem cuidado hoje será ocupado amanhã por outra coisa, outra voz e outra forma de formação que a igreja não escolheu.
Escolha uma criança específica de sua família ou de sua igreja e assuma diante de Deus o compromisso de investir nela durante anos, e não apenas por uma temporada de entusiasmo. Reavalie, com a liderança de sua igreja, se algum dos temas tratados nesta matéria, dignidade, evangelismo, discipulado, aprendizagem, proteção e cuidado com os filhos de missionários, ainda precisa se transformar em prática concreta no seu contexto. Ore também, ainda hoje, ao Senhor da seara, pedindo que levante mais obreiros preparados e comprometidos com as próximas gerações. Afinal, investir bem na infância de hoje é, em grande medida, decidir antecipadamente que tipo de igreja existirá daqui a vinte anos.
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