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Curso de Capacitação Missionária · Artigo 55/98

Proteger a Criança é Dever, Não Opção

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A proteção infantil nasce da dignidade da criança como imagem de Deus, e não de uma exigência externa imposta pelo mundo secular às organizações religiosas. Deus criou o ser humano à sua imagem, homem e mulher os criou (Gn 1.27). Essa dignidade também pertence integralmente às crianças e exige de toda igreja ou organização cristã um cuidado sério, estruturado e permanente.

Em qualquer contexto ministerial, quatro formas de violência podem ameaçar a criança: física, emocional, espiritual e sexual. Por isso, o princípio do melhor interesse da criança deve prevalecer sobre o crescimento do ministério ou sobre a preservação da imagem pública da organização.

A prevenção começa antes mesmo de qualquer atividade. É necessário selecionar cuidadosamente aqueles que terão contato direto com crianças, estabelecer protocolos escritos, manter ambientes transparentes e oferecer treinamento contínuo. Na prática, essas medidas protegem muito mais do que a boa intenção isolada e sem estrutura. Até mesmo uma situação aparentemente simples, como um adulto permanecer sozinho com uma criança em um ambiente fechado e sem visibilidade externa, precisa ser corrigida imediatamente. Muitas vezes, porém, isso é ignorado por constrangimento ou pelo excesso de confiança nas relações pessoais.

A responsabilidade pela proteção infantil também precisa estar claramente organizada dentro da igreja ou agência. Cada etapa do processo deve ter um responsável definido, em vez de depender de quem estiver disponível no momento. Diante de uma suspeita ou de um caso de abuso, a resposta institucional deve seguir três prioridades: garantir a segurança imediata da criança, acionar as autoridades competentes e oferecer apoio real à vítima ao longo do tempo. Colocar a reputação da instituição acima da busca por justiça é uma das falhas mais graves que uma organização cristã pode cometer e, infelizmente, uma das mais recorrentes na história recente de muitas igrejas e agências missionárias.

Crianças em situação de extrema vulnerabilidade, como órfãos, vítimas de tráfico humano e crianças afetadas por guerras ou deslocamentos forçados, também fazem parte do chamado missionário da igreja. Não são apenas um problema social distante de sua vocação. Tiago afirma que a religião pura e sem mácula diante de Deus consiste em visitar órfãos e viúvas em suas tribulações e conservar-se incontaminado do mundo (Tg 1.27). Nesses contextos, vínculo estável e presença de longo prazo protegem muito mais do que soluções rápidas e pontuais. Reconstruir uma confiança quebrada é um processo lento, e assumir esse cuidado é um dever bíblico, não um favor opcional oferecido por generosidade.

Verifique hoje se sua igreja ou organização possui um protocolo de proteção infantil escrito e efetivamente conhecido por todos os envolvidos, e não apenas arquivado em algum documento esquecido. Converse com um responsável devidamente treinado para aprender a reconhecer sinais de alerta em uma criança e saber como agir diante de algo preocupante. Pergunte também se já existe um plano de apoio psicológico e pastoral de longo prazo para uma eventual vítima, antes que essa questão precise ser enfrentada sob a pressão de uma crise real.

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