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Portugal por dentro

Portugal por dentro: a igreja cresce, e agora?

De 49 para 104 pessoas por igreja em nove anos. O que esse crescimento esconde.

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Encerro esta série com o número que mais surpreende quem olha para Portugal a partir do Brasil, porque ele contraria a imagem de um campo onde nada acontece. Segundo os relatórios da Aliança Evangélica Portuguesa, a assistência média das igrejas passou de 49 pessoas em 2016 para 73 em 2020, 86 em 2023 e 104 em 2025. Na pesquisa mais recente, feita com 509 pastores de todo o país, 88% disseram que suas igrejas estão crescendo. Os batismos por igreja subiram 44% em dois anos, e cerca de 13% das igrejas que existem hoje foram fundadas depois de 2020. Sou grato a Deus por cada um destes números e faço questão de compartilhá-los com a mesma transparência com que compartilho as dificuldades.

Quem lê os relatórios até o fim percebe, porém, que o crescimento tem um rosto, e esse rosto é em grande parte brasileiro. Em 2023, 38,1% dos pastores em Portugal eram de origem brasileira, assim como a grande maioria dos membros estrangeiros. No fim de 2024 havia quase 485 mil brasileiros com residência legal no país, um terço a mais do que no ano anterior. Um estudo anterior da própria Aliança, de 2020, mostrava que 40% das igrejas plantadas nos vinte anos anteriores tinham menos de 25% de portugueses, e que 70% dessas eram lideradas por brasileiros. Boa parte do crescimento, portanto, é a igreja brasileira se reorganizando em solo português. É uma bênção real, pois são irmãos sendo cuidados, mas ainda não é a igreja portuguesa nascendo.

Conheço esta realidade por dentro, pois sou um pastor brasileiro numa igreja portuguesa. Sei como é fácil uma congregação de imigrantes se tornar uma ilha, com o sotaque, os cânticos e até os horários de outro país. O vizinho português entra uma vez e não volta, e a razão raramente é rejeitar o evangelho: ele sente que aquela casa não foi feita para ele. O desafio missionário de Portugal nesta década é fazer das igrejas que existem pontes, e não refúgios. Isso exige que o imigrante que chegou para trabalhar aprenda a ver o português ao lado como campo missionário.

Há um dado de 2025 que me encheu de esperança, e é aqui que a gratidão volta: 54% dos novos convertidos nasceram em Portugal, e 48% eram católicos que já não praticavam. Pela primeira vez em muitos anos, o crescimento vem também de quem sempre esteve aqui. Deus está fazendo o que só Ele faz. O nosso trabalho, em Cascais e para onde o Senhor nos levar, é preparar obreiros que saibam pregar ao português com clareza e discipular com paciência, para que esse fruto que começa a aparecer não se perca por falta de quem o cuide.

Termino esta série como comecei, com um pedido de oração. Ore para que o crescimento das igrejas em Portugal chegue ao interior, ao português nativo e à geração mais nova, exatamente os três lugares onde os números mostram que ele ainda não chegou. Ore também para que as igrejas fortes do litoral, brasileiras ou portuguesas, enviem gente para onde ninguém quer ir e a sustentem pelos anos que forem necessários. Como escrevi no primeiro artigo desta série, no interior de Portugal ninguém planta sozinho. Foi assim, com igrejas fortes segurando as cordas das mais fracas, que o apóstolo Paulo fez a obra avançar. Os quatro números desta série, com os gráficos, o mapa por distrito e um material pronto para o domingo de missões da sua igreja, estão na página "O Desafio em Portugal".

Os números completos, com gráficos, mapa por distrito e kit para igrejas.

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