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Curso de Capacitação Missionária · Artigo 35/98

Antes da Técnica, o Caráter

E a Oração

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É comum buscar técnicas, roteiros e argumentos prontos antes de sair para evangelizar, como se a eficácia da mensagem dependesse principalmente de saber o que dizer. No entanto, a eficácia da evangelização não começa nas técnicas, mas na vida de quem anuncia. Deus usa pessoas, não métodos. O instrumento importa mais do que a técnica que emprega, porque uma vida incoerente contradiz, com os fatos, aquilo que a boca proclama com palavras.

Cinco marcas de caráter sustentam um testemunho crível: zelo, humildade, compaixão, integridade e perseverança. Nenhuma delas, isoladamente, é suficiente. Zelo sem discernimento pode gerar confusão e afastar pessoas, em vez de aproximá-las. Sinceridade sem conhecimento bíblico pode conduzir ao erro, por mais bem-intencionada que seja. Por isso, além do caráter, quem evangeliza precisa desenvolver conhecimento em quatro áreas: as Escrituras, o conteúdo do evangelho, as pessoas com quem conversa e a cultura em que essa conversa acontece. Comunicar bem, nesse sentido, não exige talento de orador. Exige clareza, simplicidade e sinceridade, qualidades ao alcance de qualquer cristão disposto a se preparar. Paulo escreveu a Timóteo que se apresentasse a Deus aprovado, como obreiro que não tinha do que se envergonhar e que manejava bem a palavra da verdade (2Tm 2.15). Trata-se de um chamado à competência, não à perfeição.

Ao preparo do caráter e do conhecimento soma-se uma dimensão espiritual que nenhuma técnica pode substituir. O Espírito Santo não é um auxiliar da evangelização, mas o seu centro vital. Convencer alguém intelectualmente de uma verdade religiosa não é o mesmo que levá-lo à salvação. Somente o Espírito regenera o coração, e nenhuma argumentação humana, por mais habilidosa que seja, pode realizar esse trabalho. Por isso, a oração é a base espiritual do anúncio, e não um complemento devocional opcional antes de sair para conversar. Quem realmente ora deixa de tentar fabricar oportunidades e passa a discernir onde Deus já está agindo. A oração não é um simples aquecimento antes do jogo; é o campo em que o jogo é decidido, muitas vezes antes mesmo de a primeira palavra ser dita.

Isso não significa abandonar todo planejamento em nome de uma espiritualidade vaga. Estratégia e dependência de Deus cooperam, não competem. O próprio apóstolo Paulo escolhia estrategicamente as cidades onde pregaria e orava enquanto tomava essas decisões. O Senhor declarou a Zorobabel que a obra não se realizaria por força nem por poder humano, mas pelo Espírito do Senhor dos Exércitos (Zc 4.6). Essa verdade vale tanto para a reconstrução de um templo quanto para a reconstrução de uma vida por meio do evangelho.

Vale, portanto, identificar a marca de caráter mais fraca em você, seja zelo, humildade, compaixão, integridade ou perseverança, e pedir deliberadamente a Deus que a desenvolva ao longo desta semana. Vale também explicar o evangelho a si mesmo sem recorrer a jargões religiosos automáticos, verificando se a mensagem permanece clara quando expressa fora do vocabulário da igreja. Escolha ainda três pessoas que ainda não creem e ore por elas diariamente, pelo nome. Antes de qualquer conversa, peça duas coisas simples: uma porta aberta e coragem para atravessá-la quando ela se abrir.

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