Chega um momento, em toda conversa evangelística séria, em que é preciso ir além de plantar sementes e conduzir a pessoa a uma decisão de seguir a Cristo. Nesse momento, quem evangeliza assume um papel específico: somos embaixadores e não falamos em nosso próprio nome, mas representamos aquele que nos enviou (2Co 5.20). Isso significa que não somos responsáveis pelo resultado da conversa, pois esse resultado pertence a Deus. Somos, porém, inteiramente responsáveis pela fidelidade com que anunciamos o evangelho. A vida do mensageiro também fortalece ou desmente a mensagem que carrega. Por isso, a coerência entre discurso e vida não é um detalhe opcional, mas parte da credibilidade do próprio evangelho anunciado.
É nesse ponto que o testemunho pessoal cumpre uma função que o argumento, por si só, não consegue alcançar: ele torna visível aquilo que a doutrina explica. Um testemunho bem estruturado pode ser apresentado em três minutos, dividido em três atos simples: quem eu era antes, o que aconteceu no meu encontro com Cristo e quem sou agora por causa dele. O centro desse relato deve ser Cristo, não a história de quem fala. Além disso, a honestidade comunica muito mais do que qualquer triunfalismo. Apresentar uma luta que ainda permanece, em vez de transmitir a imagem de uma vida perfeitamente resolvida, aproxima o ouvinte e torna o testemunho mais verdadeiro.
Depois do testemunho, é necessário explicar com clareza o plano da salvação, seguindo a ordem em que a própria Escritura o apresenta. A boa notícia só é plenamente compreendida quando a pessoa reconhece, primeiro, a má notícia de sua condição. O pecado representa uma ruptura real com Deus e produz três dimensões de morte: espiritual, física e eterna. Diante dessa condição, Deus tomou a iniciativa. A cruz realizou aquilo que a lei, por si só, jamais poderia realizar. Por isso, a salvação é um dom, e a fé é o instrumento pelo qual esse dom é recebido, nunca um mérito pelo qual ele é comprado. Paulo afirma aos efésios que “pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9). A resposta esperada é crer e confessar, com arrependimento genuíno e rendição ao senhorio de Jesus. Não se trata apenas de aceitar intelectualmente um conjunto de fatos históricos, mas de responder pessoalmente ao evangelho.
Para conduzir essa conversa com clareza, existe um roteiro bíblico tradicionalmente chamado de Caminho de Romanos, que percorre cinco perguntas na ordem em que naturalmente surgem numa mente sincera: por que preciso de salvação, o que o pecado me custa, o que Deus fez a respeito, como recebo esse dom e o que acontece depois que eu creio. A própria Carta aos Romanos resume esse caminho em uma afirmação poderosa: “Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).
Há também outros esquemas simples e igualmente fiéis, como os Quatro Movimentos da Grande Narrativa, que percorrem Criação, Queda, Redenção e Restauração, ou a Ponte da Reconciliação, um desenho simples que pode ser feito até em um guardanapo para mostrar o abismo produzido pelo pecado e vencido pela cruz de Cristo. Cada método pode ser mais adequado a determinado tipo de conversa ou perfil de ouvinte. A regra que atravessa todos eles, porém, permanece a mesma: flexibilidade no método, sem qualquer compromisso quanto ao conteúdo transmitido.
Vale, então, escrever o próprio testemunho em três atos e cronometrar a fala. Se ultrapassar três minutos, corte sem hesitar e mantenha apenas o essencial. Verifique também se Cristo aparece mais vezes do que você mesmo no texto e inclua, de propósito, uma luta que ainda permanece em sua vida. Depois, escreva as quatro etapas do plano da salvação em quatro frases próprias, sem consultar nenhuma referência. Por fim, peça a alguém de confiança que ouça sua explicação em voz alta e identifique qualquer parte que tenha ficado confusa ou incompleta. Afinal, uma mensagem bem compreendida por quem a explica tende a ser comunicada com muito mais clareza àquele que a escuta pela primeira vez.
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