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Curso de Capacitação Missionária · Artigo 33/98

As Quatro Razões que Sustentam Quem Evangeliza

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Muita gente abandona a evangelização não por falta de conhecimento, mas por falta de uma motivação capaz de sustentá-la ao longo do tempo. O preparo para evangelizar começa muito antes do primeiro contato com alguém. Começa com uma pergunta silenciosa que cada cristão precisa responder para si mesmo: por que, afinal, devo fazer isso? Quando a evangelização é praticada apenas por obrigação, sem uma convicção verdadeira, a missão se transforma em fardo. Ela passa a ser cumprida por culpa, não por alegria, e tende a ser abandonada diante da primeira dificuldade.

A Escritura apresenta quatro grandes motivações para a evangelização, e nenhuma delas, isoladamente, é suficiente para sustentar esse compromisso por toda a vida.

A primeira é a obediência. Jesus ordenou que fizéssemos discípulos de todas as nações (Mt 28.19), e essa ordem continua válida independentemente dos nossos sentimentos ou das circunstâncias do momento. É um fundamento firme porque não depende de como nos sentimos em determinado dia. Amor e obediência, porém, não competem entre si. Quem realmente ama a Cristo guarda os seus mandamentos. A obediência sem amor se transforma em legalismo frio, enquanto o amor sem obediência se reduz a um sentimentalismo vazio.

A segunda motivação é a compaixão. Ela funciona como um motor afetivo capaz de sustentar um evangelismo perseverante mesmo quando o entusiasmo inicial desaparece. Ao olhar para as multidões aflitas e exaustas, como ovelhas que não têm pastor, Jesus compadeceu-se delas (Mt 9.36). É esse tipo de compaixão, e não o entusiasmo passageiro, que leva alguém a voltar a conversar com uma pessoa mesmo depois da décima recusa. A compaixão nasce quando enxergamos as pessoas como criaturas de Deus que caminham na escuridão, e não como projetos ou números a serem acrescentados a uma meta evangelística.

A terceira motivação é a urgência, que possui três fontes distintas: a oportunidade que cada pessoa tem de ouvir, oportunidade essa que pode se encerrar sem aviso; a certeza da volta de Cristo; e a fragilidade da própria vida humana. Nenhuma dessas realidades deve produzir ansiedade ou precipitação. Juntas, porém, elas nos lembram de que adiar uma conversa importante, confiando que “ainda há tempo”, é uma aposta que ninguém pode garantir que vencerá.

A quarta motivação, talvez a mais profunda, é a gratidão que se transforma em adoração. Quem foi verdadeiramente alcançado pela graça de Deus não consegue permanecer em silêncio diante daquilo que recebeu. O propósito final da missão, afinal, não é apenas a salvação individual, mas a adoração dos povos. Deus reúne adoradores entre todas as nações, e cada conversa evangelística participa dessa obra maior. A soberania de Deus sobre todo esse processo não torna o anúncio humano inútil. Pelo contrário, é justamente ela que garante que o anúncio jamais será em vão, pois seu resultado não depende exclusivamente da habilidade de quem fala.

Por isso, vale identificar qual dessas quatro motivações está mais enfraquecida em sua vida neste momento: obediência, compaixão, urgência ou gratidão. Mais do que reconhecer essa fraqueza intelectualmente, é preciso dedicar tempo e esforço para fortalecê-la. Separe ainda hoje quinze minutos para agradecer pela graça que você mesmo recebeu, sem pedir nada em troca. E, se existe uma conversa evangelística que você vem adiando há semanas ou meses, apresente-a diante de Deus como um compromisso concreto para os próximos dias. A motivação certa raramente surge antes da obediência. Na maioria das vezes, ela amadurece no próprio caminho da obediência.

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