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Curso de Capacitação Missionária · Artigo 32/98

O Evangelismo Não é um Programa

É a Identidade da Igreja

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Toda igreja tem sua lista de atividades: cultos, ensino, ação social, eventos, evangelismo. O problema começa justamente aí. Quando o evangelismo aparece lado a lado com as demais atividades, passa-se a ideia de que ele é apenas uma tarefa entre muitas, que pode aumentar ou diminuir conforme o calendário do ano. Mas o evangelismo pertence à identidade da igreja, não à sua agenda. Quando o evangelho deixa de ser anunciado, a igreja não se torna apenas mais silenciosa. Ela se volta para dentro e passa a ocupar-se de si mesma.

Evangelizar, biblicamente, é anunciar as boas-novas da salvação em Cristo com fidelidade a um conteúdo específico. Não se trata de uma vaga sensação de espiritualidade nem apenas de boas obras visíveis, mas de um anúncio com nome e substância. Desde o início, esse anúncio apresenta tanto a graça quanto o senhorio de Cristo. Não é possível separar o convite ao perdão da chamada à obediência, como se fossem duas ofertas distintas, entre as quais a pessoa pudesse escolher. Quatro elementos sustentam qualquer apresentação fiel dessa mensagem: Deus, o ser humano, Cristo e a resposta esperada. A ausência de qualquer um deles não produz uma versão simplificada do evangelho, mas outra coisa, geralmente uma forma de informação religiosa incapaz de transformar alguém.

Por isso, a evangelização é definida pela fidelidade à mensagem, não pelo resultado alcançado. Uma igreja pode anunciar o evangelho com toda fidelidade e ver poucos responderem. Outra pode encher um salão com uma mensagem distorcida. Nesse sentido bíblico, o sucesso não se mede pelo tamanho da plateia, mas pela fidelidade ao conteúdo anunciado. Paulo escreveu aos coríntios que Cristo morreu pelos nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, tudo segundo as Escrituras (1Co 15.3-4). Esse resumo contém o essencial de uma mensagem que nenhuma apresentação fiel pode ignorar ou reduzir.

A mensagem começa em Deus antes de chegar ao ser humano: o Pai envia o Filho, o Filho envia o Espírito, e o Espírito envia a igreja. A missão, portanto, nasce na própria vida trinitária, e não em uma estratégia humana bem elaborada. Dentro dessa missão, o Espírito Santo é o agente principal da evangelização, e não apenas um auxílio externo ao esforço de quem anuncia. Quem evangeliza é instrumento nas mãos de Deus, não o motor que faz o processo funcionar. Essa verdade transforma profundamente a ansiedade de quem evangeliza, porque o peso da conversão jamais esteve sobre os ombros de quem fala, mas sobre a ação do próprio Espírito, que regenera.

Além disso, essa tarefa nunca foi reservada a especialistas. Ela pertence a toda a igreja, tendo a igreja local como instrumento principal de Deus para alcançar as nações. Não se trata de uma agência distante nem de um simples departamento interno, mas da comunidade reunida em torno de Cristo, semana após semana, no seu bairro e na sua cidade. Como escreveu certo pregador, quem não é agente missionário é campo missionário. Uma igreja que não evangeliza precisa, ela mesma, ser evangelizada novamente.

Por isso, vale fazer uma pergunta simples e honesta à sua igreja: se o evangelismo fosse tratado como identidade, e não como programa, o que mudaria concretamente na prática semanal? Talvez a resposta esteja em algo aparentemente pequeno: um momento fixo de oração pelos que ainda não creem, uma pergunta que a liderança passe a fazer regularmente aos membros ou um espaço para testemunhos simples durante o culto.

Escreva ainda hoje o nome de três pessoas próximas que ainda não creem e comece a orar por elas. Não trate isso como mais uma tarefa na agenda, mas como expressão daquilo que a igreja já é, ou deveria ser, em sua própria identidade.

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