PT EN
Curso de Capacitação Missionária · Artigo 40/98

Os Inimigos do Evangelismo

E Como Vencê-los

← Voltar a Curso de Capacitação Missionária

Os maiores obstáculos ao evangelismo raramente são a falta de recursos, de treinamento ou de oportunidades. Com frequência, são barreiras internas e espirituais, silenciosas o suficiente para nem sequer serem reconhecidas e, justamente por isso, mais difíceis de vencer. Em geral, elas podem ser agrupadas em três famílias: medo, orgulho e descuido. Cada uma produz sintomas próprios.

Do medo surgem o silêncio diante de oportunidades claras, a ignorância acomodada de quem evita se preparar para não precisar agir e a frustração diante de resultados que não aparecem como esperado. Do orgulho surgem o ativismo, que substitui a dependência de Deus por uma agenda cheia; a mensagem esvaziada da cruz, por parecer ofensiva demais; e o legalismo, que troca a graça por regras. Do descuido surgem o despreparo espiritual de quem não cultiva a própria vida devocional, o individualismo que conduz ao isolamento em vez da busca por apoio mútuo e o mau testemunho, que contradiz na prática aquilo que se anuncia com os lábios. Como Paulo escreveu aos efésios, “a nossa luta não é contra carne e sangue, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6.12). Reconhecer essa dimensão espiritual nos impede de tratar cada obstáculo apenas como uma falha pessoal de caráter.

A Escritura oferece uma resposta específica para cada uma dessas famílias. O medo é enfrentado por meio da obediência prática e do amor, que expulsa o receio, um passo de cada vez. O orgulho é combatido pela graça, que desmonta qualquer pretensão de mérito próprio. O descuido é vencido por uma disciplina espiritual simples e sustentável. Não se exige perfeição do mensageiro, pois ninguém a alcança. O que se exige é integridade: uma vida marcada por arrependimento contínuo diante de Deus, e não uma vida impecável, sem falhas visíveis.

Além dessas barreiras internas, existe a rejeição externa, que também precisa ser compreendida com clareza. Em última análise, a rejeição ao evangelho passa pelo mensageiro, mas não termina nele. Ela alcança Cristo e chega ao próprio Pai que o enviou. Essa realidade deveria aliviar, e não aumentar, o peso emocional daquele que é rejeitado ao anunciar o evangelho.

Diante da resistência, ouvir costuma produzir mais fruto do que insistir em um discurso cada vez mais longo e defensivo. Também é importante lembrar que a fé tem o valor do objeto sobre o qual está depositada. A sinceridade, por si só, não transforma algo falso em verdadeiro. Por isso, ao responder às objeções, não basta validar a sinceridade de quem discorda. É necessário apontar para a verdade de Cristo.

Seis objeções aparecem com frequência e merecem preparação antecipada: o sofrimento no mundo, a exclusividade de Cristo, a confiabilidade da Bíblia, a hipocrisia de cristãos conhecidos, a suposta incompatibilidade entre ciência e fé e o destino daqueles que nunca ouviram o evangelho. A questão do sofrimento, em particular, muitas vezes nasce de uma dor pessoal real, e não de uma dúvida meramente racional. Por isso, deve ser recebida como tal, com compaixão antes de qualquer argumento. A apologética pode remover obstáculos, mas jamais substitui o próprio evangelho como conteúdo da mensagem.

É importante, então, identificar qual das três famílias, medo, orgulho ou descuido, mais o impede hoje de evangelizar e nomear com honestidade o obstáculo específico dentro dela. Se for o medo, escolha uma pessoa concreta e ore por ela até que o amor por essa pessoa seja maior do que o receio da rejeição. Se for o ativismo disfarçado de zelo, elimine um compromisso ministerial secundário e coloque em seu lugar um tempo de oração. E escolha a objeção que você mais teme ouvir em uma conversa. Escreva uma resposta em cinco frases simples, não para decorar um discurso, mas para estar preparado quando essa pergunta finalmente surgir.

Quer conhecer melhor o trabalho do Projeto Didasko em Portugal?