PT EN
Curso de Capacitação Missionária · Artigo 14/98

O Mapa da Missão Mudou

E o Brasil Está Nele

← Voltar a Curso de Capacitação Missionária

Se alguém tentasse desenhar hoje um mapa dos países que enviam missionários e dos que recebem missionários, perceberia rapidamente que essa divisão já não funciona. O mapa missionário do mundo está em constante movimento. Um campo que antes apenas recebia missionários pode, em poucas décadas, tornar-se uma região que envia obreiros, e o contrário também pode acontecer. Observar essa realidade continente por continente ajuda a compreender onde a igreja está hoje e onde sua presença é urgentemente necessária.

A América Latina talvez seja o exemplo mais expressivo dessa transformação. Durante séculos, a região foi vista principalmente como campo receptor, destino de missionários enviados pela Europa e pela América do Norte. Hoje, porém, o continente, com o Brasil em destaque, tornou-se uma das regiões mais ativas no envio de obreiros para diferentes partes do mundo, por meio de movimentos como a COMIBAM. Essa mudança também transforma a pergunta que uma igreja brasileira precisa fazer sobre si mesma: ela ainda se enxerga como beneficiária passiva de uma fé que chegou de fora ou já assumiu seu papel como agente de envio?

A América do Norte apresenta, por sua vez, uma realidade paradoxal. A região ainda concentra a maior estrutura de agências, recursos e organizações missionárias do mundo, mas enfrenta um processo crescente de perda de vitalidade evangelística dentro de suas próprias fronteiras. Continua sendo um grande centro de envio, mas precisa também ser redescoberta como campo missionário. A Europa vive uma transformação semelhante. Durante séculos, foi o celeiro que formou e enviou grande parte dos missionários modernos. Hoje, porém, tornou-se um dos principais campos missionários do século XXI. É um continente pós-cristão, onde igrejas antigas e templos históricos convivem com gerações inteiras que jamais ouviram o evangelho de maneira pessoal.

A África subsaariana experimentou, nas últimas décadas, um dos crescimentos mais expressivos do cristianismo em toda a história da fé. Por isso, já não pode ser vista apenas como campo missionário. A região também se tornou remetente de obreiros para outras partes do mundo, inclusive para a própria Europa. A Ásia, por sua vez, ocupa uma posição central na Grande Comissão. Mais de sessenta por cento dos povos ainda não alcançados do planeta vivem nesse continente, muitos deles dentro da chamada Janela 10/40. A Oceania também apresenta um contraste que ajuda a compreender a complexidade do cenário global. De um lado, existem ilhas que são cristãs há muitas gerações; de outro, grandes centros urbanos cada vez mais secularizados, onde a fé cristã precisa ser apresentada novamente, quase como se fosse ouvida pela primeira vez.

Esse panorama revela, em última análise, que a missão contemporânea é policêntrica: parte de toda parte para toda parte. Já não existe um único centro a partir do qual o evangelho se irradia para o restante do mundo. A ordem de Jesus permanece exatamente a mesma: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). O que mudou foram os meios, o tempo e os lugares em que essa ordem está sendo obedecida. E isso inclui plenamente a igreja brasileira. Ela já não pode se enxergar apenas como destinatária histórica do trabalho missionário de outros povos. Faz parte, de pleno direito, da igreja que Deus está usando para alcançar as nações ainda não alcançadas.

Uma igreja pode transformar esse panorama global em oração e ação concreta. Pode escolher, ainda nesta semana, um dos continentes mencionados, talvez justamente aquele que costuma ocupar menos espaço em suas orações, e assumir um compromisso específico com ele: escolher um país, um povo ou uma necessidade real e interceder regularmente por essa realidade. Pode também pesquisar uma agência ou um movimento missionário mencionado nessa história, como a COMIBAM, rede de cooperação missionária dos países ibero-americanos, ou a Wycliffe, organização dedicada à tradução da Bíblia para povos que ainda não a possuem em sua língua, e compartilhar com a congregação o que foi descoberto. Isso ajuda a ampliar a visão missionária de toda a igreja.

Por fim, é necessário fazer uma pergunta de autoavaliação honesta: esta igreja, hoje, está mais próxima de um campo enviador ou de um campo carente? Qualquer que seja a resposta, sempre existe um próximo passo concreto. Pode ser sustentar um missionário que já está no campo ou assumir, com a mesma seriedade, a responsabilidade de evangelizar aqueles que ainda estão perto.

Quer conhecer melhor o trabalho do Projeto Didasko em Portugal?