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Curso de Capacitação Missionária · Artigo 03/98

Por que Tantas Igrejas Não Fazem Missões

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Poucas igrejas afirmariam que missões não são importantes. A Grande Comissão é lida, missionários do passado são admirados e levar o evangelho às nações é reconhecido como algo nobre. Ainda assim, muitas congregações jamais enviaram um missionário, não sustentam uma obra de forma contínua e raramente oram de maneira específica pelos povos que ainda não conhecem a Cristo. Existe, portanto, uma distância entre aquilo que confessamos e aquilo que praticamos. Compreender essa distância não deve servir para acusar a igreja, mas para ajudá-la a reconhecer sua responsabilidade e retornar à sua vocação missionária.

A explicação mais comum para essa realidade é a falta de recursos. Muitas igrejas são pequenas, enfrentam despesas legítimas e precisam atender necessidades reais entre seus próprios membros. Essas dificuldades não devem ser desprezadas. Entretanto, a falta de dinheiro nem sempre é a causa mais profunda. Muitas vezes, ela apenas revela uma questão anterior: missões não ocupam um lugar real entre as prioridades da congregação. O orçamento de uma igreja revela, em grande medida, aquilo que ela considera indispensável. Quando sempre existem recursos para manter estruturas, ampliar atividades internas e atender preferências locais, mas nunca há espaço para a obra missionária, talvez o problema não seja apenas financeiro, mas também de prioridades.

Outra razão é a falta de ensino. Uma igreja dificilmente desenvolverá paixão por aquilo que não conhece. Se os membros não aprendem que o propósito de Deus alcança todos os povos e que Cristo ordenou à sua igreja fazer discípulos de todas as nações (Mt 28.18-20), missões facilmente serão vistas como uma atividade distante, reservada a pessoas especialmente chamadas para esse trabalho. A consciência missionária precisa ser formada pelo ensino das Escrituras, pela oração, pelo testemunho de missionários e pelo contato com a realidade daqueles que ainda não ouviram o evangelho. Quando missões desaparecem do púlpito, do discipulado e da vida da igreja, pouco a pouco também desaparecem do coração dos seus membros.

Há também congregações dominadas pelas urgências locais. O membro enfermo, a família em crise, o jovem afastado, as despesas do templo e as necessidades do bairro são realidades que exigem atenção. A igreja não deve usar missões como desculpa para negligenciar aqueles que Deus colocou ao seu redor. O problema surge quando essas necessidades passam a ser sua única preocupação. Nesse caso, a missão além das fronteiras parece um luxo, algo que poderá ser considerado somente depois que todos os problemas internos forem resolvidos. Mas esse dia nunca chega. Uma igreja que espera condições perfeitas para obedecer provavelmente nunca encontrará o momento de começar.

O medo também pode impedir uma igreja de avançar. Enviar pessoas envolve preparo, documentos, saúde, sustento, acompanhamento e muitas outras responsabilidades. É natural que surjam perguntas e preocupações. A prudência é necessária, e a responsabilidade não deve ser confundida com falta de fé. O problema começa quando o medo se torna uma justificativa permanente para não dar nenhum passo. A igreja não é chamada a agir de maneira irresponsável, mas a apresentar seus temores ao Senhor da seara e buscar nele a direção necessária. Cristo não prometeu que a missão seria simples, mas garantiu sua presença com aqueles que obedecem à sua ordem (Mt 28.20).

Em alguns casos, a missão acabou sendo terceirizada. A igreja entende que uma agência, uma junta denominacional ou uma organização especializada deve assumir toda a responsabilidade. Essas instituições podem prestar um serviço valioso no preparo, envio e acompanhamento de missionários, mas não substituem a responsabilidade da igreja local. É a igreja que conhece o caráter daqueles que envia, que ora por eles, participa de seu sustento e permanece ao seu lado nas alegrias e dificuldades do ministério. Apoiar uma organização missionária é importante, mas não elimina a responsabilidade da igreja diante da ordem de Cristo.

Outro obstáculo é uma fé excessivamente moldada pelo conforto. O chamado de Cristo envolve renúncia, perseverança, serviço e disposição para ir onde ele ainda não é conhecido. Essa linguagem pode parecer estranha em uma cultura cristã que frequentemente mede a bênção pela segurança, pelo consumo e pela realização pessoal. Quando seguir Jesus é apresentado principalmente como um meio de alcançar nossos próprios desejos, o sacrifício missionário parece exagerado. Entretanto, Cristo chamou seus discípulos para uma vida que não tem o próprio eu como centro: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23).

Nesse cenário, a liderança pastoral exerce papel decisivo. A igreja tende a valorizar aquilo que seus líderes apresentam como prioridade diante de Deus. Se missões aparecem apenas em uma data comemorativa, é natural que a congregação as trate como algo periférico. Quando, porém, a Palavra de Deus apresenta regularmente seu propósito para as nações, a oração inclui povos e lugares ainda não alcançados e a liderança conduz a igreja a olhar para além de suas próprias necessidades, uma nova consciência começa a surgir. Não é necessário criar uma programação interminável. É necessário recuperar, com fidelidade, aquilo que Cristo ordenou à sua igreja.

A omissão missionária não precisa produzir cinismo ou desespero. Deve produzir reflexão e arrependimento. Uma igreja pode ser despertada quando permite que a Palavra de Deus corrija suas prioridades e amplie sua visão. O primeiro passo não é elaborar grandes projetos, mas olhar honestamente para a própria realidade. Temos falado sobre missões sem realmente participar delas? Temos admirado aqueles que vão, mas evitado qualquer envolvimento pessoal? Temos pedido que Deus alcance os povos, mas não estamos dispostos a ser instrumentos em suas mãos?

Um primeiro passo, ao alcance de qualquer igreja, é simples: escolher um povo, um campo ou um missionário específico para orar por nome, com regularidade, nos próximos meses — não como intenção genérica, mas como compromisso concreto da liderança e da congregação. Outro passo é perguntar, na próxima reunião de conselho, se existe uma linha no orçamento dedicada a missões, ainda que pequena, e o que seria necessário para criá-la ou fortalecê-la. Um terceiro passo é convidar, para os próximos meses, alguém que sirva em um campo missionário para contar sua história à igreja — não como evento isolado, mas como início de um relacionamento contínuo. Nenhum desses passos exige recursos abundantes; exigem apenas decisão.

A igreja não precisa ser grande para começar a obedecer. Precisa reconhecer que a missão não é um assunto secundário, mas parte da vocação de todo o povo de Deus. Toda congregação pode ensinar, orar, contribuir, testemunhar, enviar e caminhar de maneira mais fiel na obra missionária. A pergunta não é se temos tudo o que seria ideal. A pergunta é se estamos dispostos a permitir que o Senhor corrija nossas prioridades e nos conduza em obediência. A missão continua sendo uma ordem de Cristo para toda a sua igreja: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28.19).

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