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Curso Interdenominacional de Teologia · Artigo 03/19

Deus Tem um Plano

Criou Tudo e Sustenta Cada Instante

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Nada na sua vida, por mais confuso ou desconexo que possa parecer, está fora do alcance de Deus. Antes mesmo de o mundo existir, o Senhor, em sua infinita sabedoria, já havia determinado tudo o que haveria de acontecer no tempo. Paulo resume essa verdade em uma afirmação que atravessa toda a Bíblia: Deus faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade (Ef 1.11). Não estamos falando de um Deus que observa a história de longe, torcendo para que tudo dê certo. Estamos falando daquele que planejou, criou e sustenta tudo o que existe, desde o amanhecer de uma estrela até o próximo fôlego que você irá respirar.

Esse plano eterno é o que a teologia chama de decreto de Deus: um propósito único, sábio e livre, e não uma coleção de planos separados e conflitantes. “O meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade” (Is 46.10), declara o próprio Deus por meio de Isaías. Quanto à maneira exata como a soberania de Deus se relaciona com as nossas escolhas reais, cristãos fiéis mantêm ênfases diferentes. Não é necessário resolver esse debate aqui para sustentar aquilo que todos afirmam: nada escapa ao propósito do Senhor e, ainda assim, Ele jamais é autor do pecado. Na cruz de Cristo, aconteceu o maior crime da história e, ao mesmo tempo, tudo ocorreu segundo a decisão culpada de homens e conforme aquilo que os próprios discípulos reconheceram em oração: aquelas mãos ímpias apenas fizeram “tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram” (At 4.28). O mistério não é plenamente resolvido nesta vida, mas o consolo é claro: nenhuma maldade humana jamais escapou ao governo de Deus ou foi capaz de frustrar o seu propósito final.

Esse mesmo Deus que planeja também criou. “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1), não a partir de alguma matéria preexistente, mas do nada, pelo poder de sua palavra: “Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem” (Hb 11.3). Deus não criou por necessidade. Ele já era pleno e perfeitamente feliz em si mesmo, Pai, Filho e Espírito em eterna comunhão. Criou porque quis, por pura bondade que transborda. E a obra da criação não pertence a uma só Pessoa. O Pai é a fonte de onde tudo procede; o Filho é aquele por intermédio de quem “todas as coisas foram feitas, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3); e o Espírito já pairava sobre as águas, participando da obra criadora de Deus (Gn 1.2).

Quanto à maneira exata como os dias de Gênesis se desenrolaram, cristãos que igualmente creem na Palavra de Deus chegaram, ao longo da história, a interpretações diferentes. Não é necessário escolher uma delas aqui para afirmar aquilo que une todas essas leituras: o mundo não é fruto do acaso, o ser humano é uma criatura especial, feita à imagem de Deus, e tudo o que existe foi criado para a glória do Criador. “A todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória, e que formei, e fiz” (Is 43.7), declara o Senhor por meio de Isaías. Paulo, por sua vez, resume o destino de toda a criação em uma única frase: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas” (Rm 11.36).

Mas a obra de Deus não terminou no sétimo dia, como quem monta um relógio, dá corda e vai embora. Ele continua sustentando, a cada instante, tudo o que criou. É isso que a teologia chama de providência. “Nele, tudo subsiste” (Cl 1.17), escreve Paulo sobre Cristo; e o autor de Hebreus afirma que Ele está “sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hb 1.3). Se Deus retirasse a sua mão por um só instante, tudo deixaria de existir. É esse mesmo Deus em quem, como Paulo declarou aos atenienses, “vivemos, e nos movemos, e existimos” (At 17.28). Ele não é um Deus distante, que observa tudo de longe. É aquele que sustenta até mesmo o coração que bate agora.

Surge, então, a pergunta mais difícil: se Deus governa todas as coisas, de onde vêm o mal e o sofrimento? As Escrituras não nos oferecem uma fórmula capaz de dissolver completamente esse mistério. Elas nos dão algo mais firme: a certeza de que Deus jamais é autor do pecado e de que Ele sabe transformar até a pior dor em bem. Foi o que Jó aprendeu depois de perder tudo, sem jamais receber uma explicação completa, e é o que Paulo garante a todo cristão que sofre: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28). O texto não afirma que a dor seja boa em si mesma. Afirma algo maior: Deus é capaz de usá-la para produzir um bem que ainda não conseguimos enxergar.

Da próxima vez que a vida parecer fora de controle, escreva em um papel aquilo que pesa sobre o seu coração e entregue tudo a Deus em oração. Faça isso não porque a resposta virá facilmente, mas porque, qualquer que seja o caminho, você está nas mãos do mesmo Deus que planejou, criou e continua sustentando, com amor, cada instante da história.

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