Jó, em meio ao seu sofrimento, fez uma afirmação simples sobre a própria vida: “O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo-Poderoso me dá vida” (Jó 33.4). Muita gente pensa no Espírito Santo apenas a partir do Novo Testamento, como se sua atuação tivesse começado no Pentecostes. Mas as Escrituras apresentam uma realidade muito diferente. O Espírito Santo é eterno, plenamente divino e está presente em toda a história da redenção. Do primeiro capítulo de Gênesis ao último dia, vemos a mesma Pessoa divina agindo continuamente, jamais como uma força impessoal ou como alguém que surge apenas em determinado momento da história.
Já nas primeiras páginas da Bíblia, antes mesmo de a luz ser criada, “o Espírito de Deus pairava por sobre as águas” (Gn 1.2). Sua presença não começa no Pentecostes, nem sequer no ministério terreno de Jesus. O Espírito está presente desde a criação, atuando soberanamente segundo a vontade de Deus.
No Antigo Testamento, o Espírito já realizava sua obra. Ele capacitava pessoas para tarefas específicas e as habilitava para cumprir os propósitos de Deus. Bezalel, por exemplo, foi cheio do Espírito de Deus com “sabedoria, e entendimento, e ciência, em todo artifício” para realizar a obra do tabernáculo (Êx 31.3). O Espírito veio sobre Davi quando ele foi ungido rei e falou por meio dos profetas. Ao mesmo tempo, o Antigo Testamento registra situações em que essa capacitação era concedida de modo particular e podia ser retirada. Por isso, depois de seu grave pecado, Davi clamou: “não me lances fora da tua presença e não retires de mim o teu Santo Espírito” (Sl 51.11).
Os profetas, porém, apontavam para uma obra ainda mais ampla. Por meio de Joel, Deus prometeu: “derramarei o meu Espírito sobre toda a carne” (Jl 2.28). A promessa anunciava uma nova etapa na obra do Espírito, na qual Ele seria derramado sobre todo o povo de Deus, alcançando filhos e filhas, jovens e velhos, servos e servas. Séculos depois, Pedro explicaria que essa promessa havia começado a se cumprir no dia de Pentecostes (At 2.16-18).
O Espírito Santo também esteve presente em cada momento da vida terrena de Jesus. Ele atuou na concepção virginal, esteve sobre Cristo em seu batismo, conduziu-o ao deserto, onde foi tentado, e acompanhou todo o seu ministério público. Lucas registra que Jesus voltou do Jordão “cheio do Espírito Santo” (Lc 4.1). Na sinagoga, ao ler o profeta Isaías, Jesus aplicou a si mesmo estas palavras: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres” (Lc 4.18). Não houve um momento sequer da missão terrena de Cristo em que sua atuação estivesse desvinculada da presença e da obra do Espírito.
No dia de Pentecostes, a promessa anunciada pelos profetas alcançou um novo estágio. O Espírito Santo foi derramado sobre a igreja reunida e passou a habitar em todos os que pertencem a Cristo. A partir daí, Ele dirigiu a vida da comunidade cristã, orientando decisões, conduzindo líderes e direcionando a expansão do evangelho. Em uma das decisões mais importantes da igreja primitiva, os apóstolos e presbíteros declararam: “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15.28). Em outra ocasião, o Espírito impediu Paulo e seus companheiros de anunciar a palavra em determinadas regiões e os conduziu até a Macedônia (At 16.6-10).
Sem estruturas sofisticadas, grandes edifícios ou todos os recursos de que dispomos atualmente, aquela igreja avançou porque dependia do Espírito Santo. Hoje, formação teológica, boa administração, planejamento e estruturas adequadas são recursos legítimos e importantes. Mas nenhum deles pode substituir a dependência do Espírito. Por isso, é necessário perguntar com honestidade: quanto tempo uma igreja dedica à oração e à busca da direção de Deus antes de decidir seus próximos passos?
Essa obra do Espírito não pertence apenas ao passado. Ele continua agindo na vida de cada pessoa que crê. É Ele quem convence do pecado, levando o pecador ao reconhecimento de sua culpa diante de Deus (Jo 16.8). É Ele quem regenera e produz nova vida. Como Paulo afirma, “se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Co 5.17). É Ele também quem intercede por nós quando faltam palavras: “não sabemos orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26). E é Ele quem nos capacita a servir, perseverar, enfrentar provações e permanecer fiéis em meio às dificuldades. É também o Espírito quem ilumina nosso entendimento para compreendermos as Escrituras e recebermos delas o conhecimento necessário para viver diante de Deus.
Então, se alguém lhe perguntasse agora onde o Espírito Santo tem agido em sua vida nesta semana, você saberia apontar um momento concreto?
O mesmo Espírito que estava presente na criação, que capacitou Bezalel, que veio sobre Davi, que falou por meio dos profetas, que acompanhou Jesus durante seu ministério terreno e que sustentou a igreja primitiva continua presente e ativo hoje. Ele não é uma lembrança distante de uma história antiga, nem uma realidade limitada ao passado. É Deus, o Espírito Santo, presente e atuante na vida de seu povo, convencendo, regenerando, santificando, intercedendo, iluminando e capacitando.
Por isso, mais do que falar sobre uma suposta “história do Espírito Santo”, devemos reconhecer a continuidade de sua presença e de sua obra em toda a Escritura e na vida da igreja. O Espírito Santo não começou a existir em Pentecostes, nem sua atuação terminou com os apóstolos. Ele é eterno e continua realizando sua obra até hoje. E essa realidade alcança você.
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