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Curso Interdenominacional de Teologia · Artigo 13/19

Vento, Água, Fogo

As Imagens que Revelam o Espírito

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O Pai tem um nome revelado nas Escrituras. O Filho recebeu, ao nascer, o nome Jesus. Mas, quando procuramos um nome próprio para o Espírito Santo, não encontramos nenhum. Encontramos, porém, uma grande variedade de títulos e símbolos, cada um revelando uma faceta diferente de quem Ele é. Isso não é uma falha da revelação, mas um convite. Assim como ninguém vê o vento, embora todos sintam os seus efeitos, também não vemos o Espírito Santo agindo, mas a Escritura nos ensina a reconhecê-lo por meio de imagens extraídas das experiências mais comuns da vida. Nenhum tratado teórico faria isso com a mesma força. Um símbolo fala diretamente à experiência humana: todos já sentimos o vento, bebemos água e vimos o fogo. É por meio dessas experiências tão simples que a Bíblia nos conduz a verdades profundas sobre quem o Espírito Santo é.

A primeira dessas imagens é o vento. Conversando à noite com um respeitado mestre de Israel, Jesus disse: “O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito” (Jo 3.8). Ninguém dá ordens ao vento, e ninguém dá ordens ao Espírito Santo. Ele sopra onde quer e sobre quem quer. Assim como não conseguimos explicar completamente de onde vem uma rajada de vento, também não conseguimos compreender por inteiro como o Espírito Santo realiza, no interior da pessoa, o milagre do novo nascimento. Vemos, porém, o resultado: uma vida que antes estava morta e agora vive.

A segunda imagem é a água. À beira de um poço, Jesus disse a uma mulher samaritana: “Aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo 4.14). Não se trata de uma água que sacia por um momento e logo deixa a pessoa sedenta novamente, como acontece com a água comum do poço. É uma fonte que nasce dentro da própria pessoa e nunca seca. Quando o Espírito Santo habita em alguém, Ele não é uma visita passageira. Ele se torna uma fonte viva e constante, sustentando a vida espiritual todos os dias, inclusive nos períodos mais secos.

A terceira imagem é o fogo, e nela encontramos três efeitos ao mesmo tempo: o fogo ilumina, purifica e aquece. No dia de Pentecostes, essa imagem tornou-se visível: “Apareceram-lhes línguas repartidas como que de fogo, e pousou uma sobre cada um deles” (At 2.3). Não era um fogo destinado a consumir, mas um sinal da presença de Deus descendo individualmente sobre cada discípulo. Homens que, poucos dias antes, tinham medo até de serem identificados como seguidores de Jesus saíram dali pregando com ousadia diante de multidões. O mesmo fogo que iluminou o entendimento deles e purificou o seu medo continua acendendo, hoje, corações que parecem frios ou indiferentes na fé.

Uma quarta imagem, a do óleo, completa esse quadro de capacitação. No Antigo Testamento, sacerdotes, profetas e reis eram ungidos com azeite para o serviço ao qual Deus os chamava. O próprio título Cristo significa Ungido, e Pedro resume o batismo de Jesus dizendo que Deus o “ungiu com o Espírito Santo e com poder” (At 10.38). É esse mesmo Espírito que continua capacitando cada crente para o serviço ao qual Deus o chamou, seja qual for esse serviço.

As duas últimas imagens andam juntas: o selo e o penhor. No mundo antigo, o selo identificava, de forma indelével, aquilo que pertencia ao rei. O penhor, por sua vez, era a primeira parcela de um pagamento maior, uma garantia de que o restante seria entregue. Paulo reúne essas duas ideias ao dizer: “Fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus” (Ef 1.13-14). Receber o Espírito Santo é receber a própria marca de Deus sobre a vida, um sinal que ninguém pode apagar, e, ao mesmo tempo, uma antecipação real, experimentada no presente, da herança completa que ainda está por vir.

Nenhuma dessas imagens, isoladamente, esgota quem o Espírito Santo é. Vento, água, fogo, óleo, selo e penhor são diferentes janelas para contemplarmos a mesma Pessoa divina, e jamais substitutos para conhecê-la. Cada uma, porém, nos conduz a uma pergunta prática: você tem sentido o vento soprando, a fonte jorrando e o fogo ardendo em algum canto frio da sua fé? Se a resposta for não, comece hoje pela oração mais simples que existe: peça a Deus que reacenda o que parece apagado e agradeça pelo selo que já está sobre você. Hoje e sempre, você pertence a Ele, e essa marca ninguém pode apagar.

Cada uma dessas imagens existe para uma única finalidade: não satisfazer a nossa curiosidade sobre como o Espírito Santo age, mas nos aproximar, com maior confiança, daquele que já vive em todo aquele que crê.

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