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Curso Interdenominacional de Teologia · Artigo 09/19

Fala por Deus, Intercede por Nós, Reina Sobre Tudo

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No Antigo Testamento, quem era chamado para servir como profeta, sacerdote ou rei recebia um sinal visível dessa vocação: a unção com óleo. Deus, em sua sabedoria, normalmente não permitia que uma mesma pessoa acumulasse os três ofícios ao mesmo tempo. Reis não podiam ser sacerdotes, e sacerdotes não podiam ser reis. Somente uma pessoa, em toda a história bíblica, reuniu plenamente os três: Jesus Cristo. Não é coincidência que a própria palavra Cristo signifique ungido. Como Profeta, Ele fala por Deus. Como Sacerdote, Ele intercede por nós. Como Rei, Ele governa sobre nós. Esses três ofícios não competem entre si nem se revezam; eles se unem em uma só obra e resumem tudo o que Cristo veio fazer neste mundo. Nenhum deles é um detalhe secundário. Juntos, respondem à pergunta que sustenta toda a nossa fé: quem cuida de mim diante de Deus e como?

No Antigo Testamento, o profeta era o porta-voz de Deus. Recebia uma mensagem do Senhor e a transmitia fielmente ao povo. Jesus fez muito mais do que isso. Ele não apenas falou sobre Deus, como fizeram Isaías, Jeremias e tantos outros; Ele é a própria Palavra de Deus feita carne. Moisés já havia anunciado que o Senhor levantaria “um profeta como eu... a ele ouvireis” (Dt 18.15), e Pedro aplicou diretamente essa promessa a Jesus. Dois discípulos, no caminho de Emaús, resumiram aquilo que haviam testemunhado, descrevendo-o como um “profeta poderoso em obras e em palavras diante de Deus e de todo o povo” (Lc 24.19). Quando Isaías terminava de falar, apontava para outro, maior do que ele. Quando Jesus terminava de falar, Ele mesmo era o assunto de sua própria mensagem. As multidões perceberam isso enquanto Ele ainda caminhava entre elas. Depois de um milagre, diziam que um grande profeta havia surgido, e uma mulher samaritana, simplesmente por conversar com Ele, reconheceu que estava diante de um profeta. Não se tratava de uma interpretação tardia da igreja; era algo que as pessoas percebiam no próprio encontro com Jesus.

Se o profeta representa Deus diante de nós, o sacerdote faz o caminho inverso: representa-nos diante de Deus. Jesus, da tribo de Judá, não poderia herdar o sacerdócio levítico, reservado à tribo de Levi. Isso, porém, jamais foi um problema para o plano de Deus; fazia parte dele. Séculos antes, o salmista já havia anunciado uma ordem sacerdotal diferente e mais antiga: “tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4). Enquanto cada sumo sacerdote de Israel precisava primeiro oferecer sacrifícios pelos próprios pecados e depois repetir o mesmo serviço no ano seguinte, Cristo, sem pecado algum, ofereceu a si mesmo uma única vez, em um sacrifício suficiente para sempre. E essa obra não ficou no passado. Ele “vive sempre para interceder” (Hb 7.25) por todos os que se aproximam de Deus por meio dele. Agora mesmo, enquanto você lê estas palavras, Cristo está diante do Pai, intercedendo por você. Diferentemente dos sacerdotes levíticos, que morriam e precisavam ser sucedidos por outros, Ele permanece para sempre. Não existe um só instante em que sua intercessão cesse, nem um dia em que precisemos temer que ela venha a faltar.

E, no entanto, esse mesmo Jesus é Rei. Diante de Pilatos, Ele não escondeu sua realeza, mas recusou o modelo de reino que todos esperavam: “o meu reino não é deste mundo” (Jo 18.36). Se fosse, seus seguidores teriam lutado para impedir sua prisão. Seu reino, porém, não se sustenta pela espada, pela riqueza ou pelo interesse próprio que move os impérios humanos. Sustenta-se na justiça e na verdade e, por isso mesmo, não terá fim. Esse reino já começou: Cristo já reina hoje, assentado à direita do Pai. Mas sua consumação ainda está por vir. Um dia, toda a criação reconhecerá, sem exceção, o seu senhorio. No Antigo Testamento, Israel havia trocado o governo direto de Deus por um rei como os das outras nações. Nenhum daqueles reis, nem mesmo Davi ou Salomão, foi capaz de governar como Deus sempre quis. Jesus é o Rei que toda aquela longa e falha sucessão apenas conseguiu prometer, mas jamais cumprir.

Esses três ofícios não são apenas categorias para estudar; eles exigem uma resposta concreta. Como Profeta, Cristo fala. A pergunta é: você tem escutado sua Palavra mais do que qualquer outra voz? Como Sacerdote, Ele intercede. A pergunta é: você tem orado com a confiança de quem sabe que já não precisa de outro mediador entre você e Deus? Como Rei, Ele governa. A pergunta é: existe alguma área da sua vida que você ainda insiste em comandar sozinho, sem se submeter a Ele?

Entregue hoje essa área a Cristo. Ouça sua voz acima de qualquer outra e ore com a certeza de que Aquele que já se ofereceu por você continua, neste exato instante, intercedendo por sua vida.

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