Num momento decisivo do seu ministério, Jesus se voltou para os discípulos e fez a pergunta mais importante que alguém já fez: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16.15). Simão Pedro respondeu em nome dos discípulos: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16.16). Pedro não descreveu Jesus como mais um bom mestre entre tantos outros. Ele reconheceu duas verdades ao mesmo tempo: Jesus é o Messias prometido e é o próprio Filho de Deus. Essa mesma pergunta continua sendo dirigida, pessoalmente, a cada um de nós. Como escreveu o pastor Warren Wiersbe, se estivermos errados sobre quem é Jesus, estaremos errados sobre a salvação, e isso custa a nossa própria alma.
Antes de responder, vale lembrar que Jesus não é uma figura lendária, sem lugar ou data definidos. Ele nasceu em Belém, cumprindo o que o profeta Miqueias havia anunciado séculos antes, em um contexto que a história registra relacionado ao censo ordenado por César Augusto. Cresceu em uma cidade pequena e sem prestígio, Nazaré, e exerceu o mesmo ofício de carpinteiro de seu pai adotivo. Foram décadas de uma vida comum, sem um único milagre registrado. Somente por volta dos trinta anos iniciou seu ministério público, que duraria apenas três anos. Ainda assim, nenhum outro nome recebeu um lugar semelhante na história. Até mesmo a maneira como o mundo conta o tempo, antes e depois de Cristo, carrega essa marca até hoje.
Ao longo dos séculos, muitos tentaram responder à pergunta de Jesus com descrições que parecem respeitosas, mas que, no fundo, acabam diminuindo quem Ele é: um grande mestre, um líder revolucionário, um exemplo de amor. Nenhuma dessas afirmações é propriamente falsa. Jesus realmente ensinou com autoridade e amou como ninguém. O problema está menos no que elas afirmam do que naquilo que deixam de fora. R. C. Sproul dá um nome contundente a essa tendência de reduzir Jesus: um Cristo diluído, moldado para se ajustar aos gostos de cada época, não é o Cristo verdadeiro. É, em suas palavras, um substituto que conserva o nome certo, mas aponta para outra pessoa.
Isso não é um fenômeno novo. Já nos primeiros séculos, alguns grupos reduziram Jesus a uma criatura especial, negando sua eternidade, enquanto outros negaram que Ele fosse verdadeiramente homem. Cada geração acaba produzindo sua própria versão desse mesmo erro. Por isso, precisamos permitir que a própria Escritura corrija as nossas ideias sobre Jesus, e não o contrário.
A Escritura faz isso, entre outras formas, por meio dos muitos nomes que atribui a Ele. Cada nome abre uma janela para contemplarmos uma dimensão diferente da mesma pessoa. O nome Jesus, revelado por um anjo antes mesmo de seu nascimento, significa “o Senhor salva”. O anjo disse a José que esse seria o seu nome “porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21). Cristo é o título que identifica o Messias, o Ungido de Deus. Senhor, em grego kyrios, era também a palavra usada para traduzir o nome de Deus no Antigo Testamento. Por isso, Pedro pôde declarar no dia de Pentecostes: “Deus o fez Senhor e Cristo” (At 2.36), referindo-se ao mesmo Jesus que havia sido crucificado como um criminoso comum. Emanuel, anunciado muito antes do primeiro Natal, significa “Deus conosco” (Is 7.14; Mt 1.23). É a presença de Deus que se fez carne e que continua, até hoje, com aqueles que nele confiam.
Esses nomes já apontam para uma realidade ainda maior: a vinda de Jesus não resultou de um plano improvisado. O apóstolo Pedro escreve que Cristo foi “conhecido, na verdade, ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto nestes últimos tempos, por amor de vós” (1Pe 1.20). Antes que existisse qualquer estrela, o plano de enviar o Filho já estava estabelecido no coração de Deus. E essa obra tinha um propósito muito maior do que simplesmente nos oferecer um bom exemplo. Se bastasse viver corretamente, a cruz teria sido apenas um desperdício trágico, e não a expressão da vitória. Jesus não veio apenas para nos mostrar o caminho. Ele veio para abrir o caminho, pagando por nós uma dívida que jamais poderíamos quitar e vencendo, por meio da ressurreição, a morte que nos aguardava.
Diante de tudo isso, a pergunta que abriu esta reflexão continua diante de você. Não basta saber o que os outros dizem sobre Jesus, nem acumular conhecimento teológico correto a respeito dele. O próprio Senhor definiu a vida eterna como “que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). Conhecer sobre Cristo e conhecer a Cristo não são necessariamente a mesma coisa.
Separe um momento ainda hoje e escreva, com suas próprias palavras, a resposta para esta pergunta: quem é Jesus para mim? Não repita simplesmente uma frase pronta que você já ouviu em algum lugar. Peça a Deus que esse exercício não permaneça apenas no campo da mente, mas alcance o coração e o aproxime daquele que, antes de qualquer coisa, deseja ser conhecido.
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