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Curso Interdenominacional de Teologia · Artigo 10/19

Morreu, Ressuscitou, Reina

A Vitória que Muda Tudo

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A cruz não foi um acidente nem uma derrota que Deus precisou consertar depois. Antes de morrer, Jesus deixou claro que sua morte seria uma escolha consciente: “ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la” (Jo 10.18). Ele morreu em nosso lugar: “aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5.21). Na cruz, pagou uma dívida que nenhum esforço humano seria capaz de quitar.

Foi um sofrimento real, lento e brutal. A crucificação era o método de execução mais desprezado do mundo romano e carregava um grau extremo de humilhação. Ainda assim, as últimas palavras de Jesus revelam controle, não colapso. Primeiro, Ele declara: “está consumado” (Jo 19.30). Depois, inclina a cabeça e só então entrega o espírito. Os próprios romanos, responsáveis por esse suplício, o consideravam humilhante demais para aplicá-lo aos seus cidadãos e o reservavam a escravos e rebeldes. Foi justamente esse caminho, o mais vergonhoso que existia, que o Rei dos reis escolheu para levar sobre si a maldição que era nossa.

Mas a história não terminou no sepulcro. Paulo não trata a ressurreição como um detalhe secundário ou simpático da fé. Ele coloca tudo o mais na balança junto com ela: “se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé” (1Co 15.14). A ressurreição é o ponto sobre o qual tudo se sustenta.

As evidências relacionadas a esse acontecimento são sólidas o bastante para terem convencido céticos que começaram sua investigação justamente com o objetivo de desmontá-las. O túmulo era novo, estava lacrado com um selo oficial romano e era guardado por soldados armados, treinados para impedir exatamente esse tipo de violação, sob pena de morte. Ainda assim, na manhã de domingo, o túmulo estava vazio, e os panos do sepultamento haviam sido deixados ali, não espalhados de qualquer maneira, como se alguém tivesse roubado o corpo às pressas. Durante quarenta dias, Jesus também apareceu vivo a muitas pessoas: a Pedro, aos onze, a dois discípulos no caminho e, em uma única ocasião, “a mais de quinhentos irmãos de uma vez, dos quais a maioria sobrevive até agora” (1Co 15.6). Era um convite explícito para que se investigassem essas testemunhas.

Ao longo dos séculos, quatro teorias tentaram explicar o túmulo vazio sem admitir um milagre: os discípulos teriam roubado o corpo; Jesus não teria morrido, apenas desmaiado; as aparições seriam alucinações; ou as mulheres teriam ido ao túmulo errado. Nenhuma delas resiste a um exame sério. Homens que haviam fugido apavorados na noite da prisão não conseguiriam, de repente, driblar uma guarda romana armada. Um homem que tivesse apenas sobrevivido à tortura mais brutal do mundo antigo dificilmente percorreria quilômetros depois dela, aparentando ser um vencedor. E alucinações não explicam aparições simultâneas diante de quinhentas pessoas, muito menos encontros em que Jesus come e conversa com os que o veem.

Há ainda uma evidência particularmente forte: ninguém entrega a própria vida, sem obter qualquer benefício, para sustentar conscientemente uma mentira que inventou. E quase todos os discípulos morreram sustentando até o fim aquilo que afirmavam ter visto. A isso se somam outras evidências difíceis de explicar de outra maneira: o crescimento explosivo da igreja no mesmo território em que Jesus havia sido condenado e a mudança do principal dia de culto, do sábado, guardado havia séculos, para o domingo, em memória da ressurreição. Um povo inteiro não abandona um costume tão antigo sem um motivo extraordinário.

Depois de ressuscitar, Jesus não voltou a uma vida terrena comum. Diante dos discípulos, foi elevado aos céus e assentou-se à direita do Pai, cumprindo o que Davi já havia anunciado séculos antes: “disse o Senhor ao meu Senhor: assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés” (Sl 110.1). Sentar-se à direita de Deus não é uma questão de geografia celestial, mas de participação plena na autoridade suprema. Jesus não está aguardando passivamente o fim dos tempos. Ele reina agora sobre toda a criação e, neste exato instante, intercede por todos os que se aproximam de Deus por meio dEle.

Ao vê-lo subir, os discípulos não voltaram para casa tristes, como quem acabara de perder um amigo. Voltaram adorando, cheios de expectativa por causa da promessa que Ele havia deixado: a vinda do Espírito Santo. E o Espírito logo transformaria aquele pequeno grupo de homens assustados em uma igreja que alcançaria o mundo inteiro.

Morreu, ressuscitou, reina. Essa sequência não é apenas um resumo doutrinário. É o fundamento de toda a esperança cristã. Se a sua fé hoje está apoiada apenas em uma boa história ou em um sentimento bonito, ela precisa de um fundamento mais firme. Apoie-a onde a Escritura a apoia: em um túmulo que ficou vazio, em testemunhas dispostas a morrer pelo que afirmavam ter visto e em um Cristo que, agora mesmo, governa o universo e intercede por você.

A morte não teve a última palavra sobre Jesus. E, se você está unido a Ele pela fé, ela também não terá a última palavra sobre você.

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