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Curso Interdenominacional de Teologia · Artigo 12/19

O Espírito Santo Não é uma Força

Ele é Deus

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Para muita gente, o Espírito Santo é uma ideia vaga: uma força divina, uma energia espiritual ou, talvez, apenas aquela sensação de emoção experimentada em um culto mais intenso. A Bíblia, porém, descreve Alguém muito diferente disso. Antes de ser levado à cruz, Jesus prometeu aos discípulos que o Consolador “vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14.26). Uma força não ensina ninguém, e uma energia não se lembra de nada. Ensinar e lembrar são ações de Alguém que pensa, conhece e se relaciona. É exatamente esse Alguém que precisamos conhecer.

A Bíblia atribui ao Espírito Santo tudo aquilo que caracteriza uma pessoa: intelecto, vontade e sentimento. Ele perscruta “até mesmo as profundezas de Deus” (1Co 2.10). Perscrutar é uma ação do intelecto, não de uma força impessoal. Ele distribui os dons “como lhe apraz” (1Co 12.11), exercendo uma decisão própria, e não seguindo um mecanismo automático. Paulo ainda instrui os cristãos a “não entristecer o Espírito Santo de Deus” (Ef 4.30). Ninguém entristece uma corrente elétrica; entristecemos uma pessoa que se importa, que ama e que é afetada pelo que fazemos.

O Espírito Santo também pode ser resistido e até mesmo sofrer mentira. Foi isso que aconteceu com Ananias e Safira, que esconderam parte do dinheiro obtido com a venda de uma propriedade enquanto fingiam ter entregado tudo. Pedro foi direto: “por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo?... Não mentiste aos homens, mas a Deus” (At 5.3-4). Há ainda um detalhe significativo na língua original. Em grego, a palavra para espírito é gramaticalmente neutra, e seria esperado, portanto, que o pronome correspondente também fosse neutro. Entretanto, nos últimos ensinos de Jesus aos discípulos, Ele usa repetidamente um pronome masculino ao falar do Espírito: aquele, e não aquilo. Não se trata de um descuido do texto, mas de uma ênfase deliberada. Jesus jamais apresentou o Espírito Santo como uma coisa impessoal.

Observe também que Pedro trata as duas afirmações como equivalentes: mentir ao Espírito Santo é mentir a Deus. Essa equivalência encontra confirmação em toda a Escritura. Os atributos que pertencem exclusivamente a Deus também são atribuídos ao Espírito. Ele é chamado de Espírito eterno (Hb 9.14), não pode ser limitado por qualquer lugar, pois não há onde alguém possa fugir de sua presença (Sl 139.7), e possui conhecimento pleno. Da mesma forma, as obras que somente Deus realiza são atribuídas a Ele. O Espírito estava presente na criação, quando pairava sobre as águas (Gn 1.2). Foi Ele quem moveu os profetas na produção das Escrituras, pois nunca a profecia foi produzida por vontade de homem, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo (2Pe 1.21). É Ele quem opera o novo nascimento naquele que estava morto em seus pecados (Jo 3.5-6) e quem ressuscitará nosso corpo mortal (Rm 8.11).

Nenhuma criatura realiza aquilo que pertence exclusivamente a Deus. O Espírito, porém, realiza tudo isso. A conclusão é inevitável. Um dos maiores exemplos desse poder divino está no próprio nascimento de Jesus, gerado no ventre de Maria pelo poder do Espírito Santo, algo que nenhuma criatura, por mais elevada que fosse, poderia realizar.

O Espírito Santo é, portanto, a terceira Pessoa da Trindade. Ele não é uma força que o Pai utiliza quando deseja agir no mundo, nem uma espécie de versão menor de Deus. É plenamente igual ao Pai e ao Filho em essência, poder e glória. Por isso Paulo pôde encerrar sua carta desejando aos seus leitores a graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo (2Co 13.13), colocando as três Pessoas lado a lado e atribuindo-lhes igual honra.

Negar a divindade do Espírito Santo nunca foi uma questão doutrinária secundária. A igreja antiga precisou enfrentar aqueles que tentaram reduzi-lo a uma criatura sublime, um simples mensageiro angelical. A resposta foi firme: se Ele santifica, se dá vida e se mentir a Ele é mentir a Deus, então Ele não pode pertencer à ordem das criaturas. Por isso, reunida em concílio, a igreja encerrou essa questão, ajustando o antigo credo para confessar, com clareza, que o Espírito Santo é Senhor e doador da vida e que, com o Pai e o Filho, é igualmente adorado e glorificado.

Essa verdade muda a forma como nos relacionamos com Ele. Se o Espírito Santo fosse apenas uma força, você a utilizaria. Mas, se Ele é uma Pessoa divina, você O conhece, fala com Ele e presta contas a Ele. Na próxima vez que orar, dirija-se também ao Espírito Santo diretamente, pelo nome, como quem fala com Alguém que ouve e responde. Não fale apenas sobre Ele nem pense apenas nEle como aquele por meio de quem Deus age. Fale com Ele.

E, antes de agir contra a sua consciência nesta semana, pare e pergunte: estou resistindo a uma Pessoa que me ama? Essa pergunta muda o peso de cada pequena desobediência, porque você não estaria simplesmente violando uma regra; estaria entristecendo a Deus. Conhecer essa verdade não é um exercício de teologia distante da vida real. É uma verdade que transforma, no cotidiano, o peso da nossa obediência e a profundidade da nossa oração.

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